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Reflexão Presencial

Não sei como me encaixo Na vida de outros Serei presença regular, Ou pensamento fugaz? Uma bela lembrança, Ou uma mera indiferença? Suponho que dependa De pessoa para pessoa Cada caso é um caso E um marco é vincado, Que o impacto seja positivo Invés de negativo Dentro do que controlei E que pude controlar, Não sinto remorsos Do que fui É inevitável existirem Certos arrependimentos, Mas são esses exceções À regra do que era Erros são sempre evitáveis, Daí o uso da palavra, E apenas são úteis Se aprendes algo Quero acreditar que aprendi, Tanto com os meus Como com os dos outros, Mas não apenas para os evitar Crescer e evoluir, Criar algo melhor a seguir, Porque até um corpo defunto Ajuda a crescer árvore de fruto. - Miguel Caetano Caeiro

Intacto

Cansado de não fazer nada Cheio de todo este vazio Já nada me agrada Estou por um fio Perplexo com a simplicidade De não ser importante Não é meramente vaidade Querer ser relevante É mesmo uma necessidade Vem de dentro do ser Esta vontade de querer Perdurar para a eternidade Não o faço só por deslumbro Acredito na possibilidade Na promessa da oportunidade De um novo mundo que vislumbro Não é ele nítido Mas nele estou comprometido No sentido de querer melhor Que o presente e anterior Quero só ser lembrado Somente se o mundo tiver melhorado Se não o conseguir na minha presença Que aconteça na minha ausência Não precisa de ser à escala planetária Basta apenas na comunidade Até para deixar mais saudade E tornar a história lendária Porque até o mais pequeno ser Pode criar o maior impacto E isso é um facto que me faz crer Que vou perdurar intacto - Miguel Caetano Caeiro

És tu

Dizes-me muito Sem nada dizeres A tua mera presença Faz de mim fortuito Traz-me prazeres De dimensão densa É a tua energia A tua beleza Dentro e fora É como magia De clara pureza Que me devora És um milagre Caído do céu Para a minha vida Fazes-me alegre Devo-te um véu És a prometida - Miguel Caetano Caeiro

Insignificante

Nasce esta vontade Sorrateiramente mundana De querer ser somente O ser mais habitual Um pequeno parafuso De um grande engenho Dentro de uma enorme fábrica A produzir não sei o quê Um pequeno peixe Num vasto, vasto oceano A nadar sem direção À deriva nas correntes Destinado a nada e bem com isso Apenas mais um Imune ao peso Leve como uma palavra Ignorante ao mundo Livre de responsabilidade - Miguel Caetano Caeiro

O Depois

Vida no vazio do otimismo e angústia Espaço infinito de possibilidades Indiferente a valores e idades E todos os parâmetros limitantes Vida vivida à fatia Cortada por sensibilidades Expectante na espera que nades Na direção oposta do antes Alérgico à apatia Parcial às saudades Distante de maldades Já bem distantes O que é o depois? O que vem amanhã? Questões pertinentes Bem sabes pois Que logo de manhã As coisas vão ser diferentes - Miguel Caetano Caeiro

O Agora

Vivo no mundo dos obrigados Mas nunca o faço por porque não o sou Vivo no mundo das desculpas Mas raramente as dou Vivo no mundo da produtividade Produtivo para quem? Ninguém sabe Minto! Todos nós sabemos É para quem tem mais e menos dá Vivo num mundo onde o crime é legal Desde que tenhas capital Aqui mandam os senhores da guerra O respeito e a paz caem por terra Vivo num mundo onde influência é a ordem do dia Tudo o que vês é produto pronto a consumir Mas tu é que és o prato principal a redimir Carne para canhão, uma só via - Miguel Caetano Caeiro

O Antes

Viver na angústia Sofrer dos erros Daqueles que vieram Antes de mim Uma herança pesada Uma que que não pedi Sinto que não mereço Injustiça sem fim Falhas não forçadas Desatino alheio Fracas forças do antes Com força as rejeito Mereço mais Mas já está escrito Vou ser melhor Isso eu prometo - Miguel Caetano Caeiro