Anyone But You
Anyone But You é um filme realizado por Will Gluck, que realizou Easy A: Ela é Fácil, filme de 2010 com a Emma Stone, um filme que eu gosto e por isso fui com a expetativa deste ser bom, não tão bom mas bom, e posso dizer que não saí desapontado. Vi o filme no cinema e por isso tenho de falar dele. É uma comédia romântica com as duas personagens principais a passarem o filme a dizer que se odeiam só que na realidade não, só que talvez sim, e por fim não, como é óbvio. Vou começar por dar um resumo da história e depois digo o que vai no meu cérebro.
A Bea (Sydney Sweeney) é uma estudante de direito que quer ser advogada só que não, e conhece o Ben (Glen Powell) num café após este a ajudar a ganhar acesso à casa de banho. Após passarem o resto do dia juntos e adormecerem em conchinha na casa dele, ela vai-se embora sem dizer nada, o que o deixa muito chateado. Ela decide voltar atrás pois nem percebe porque é que saiu daquela maneira. O Ben, frustrado com ela, diz ao amigo que acabou de entrar em casa, o Pete, que ela é um desastre e não quer nada com ela, o que a Bea ouve, o que cria o grande conflito do filme. Ele ficou chateado por ela se ter ido embora e não ter dito mais nada, ela ficou chateada com ele porque ele disse aquilo sobre ela. Até aqui parece que não teriam mais motivos para se ver na vida, mas o que junta as vidas dos dois é que a irmã da Bea e a irmã do Pete começam a namorar, o que os obriga a terem de interagir um com o outro. A verdadeira trama do filme é que estas se vão casar na Austrália e todos estão cansados de os ver a discutir e querem evitar que eles prejudiquem o fim de semana do casamento, com todos os familiares, menos os pais da Bea, a tentarem juntá-los.
As duas personagens principais, ao perceberem o plano do resto da família, decidem fingir que estão a namorar. O Ben sai a ganhar pois tem uma ex-namorada no casamento com a qual quer reatar, a Bea sai a ganhar porque os seus pais convidaram o ex-namorado para que estes voltem a estar juntos, o que ela não quer. Daqui para a frente temos vários momentos que aparecem nos trailers e em filmes que já vimos antes, com os dois a aperceberem-se, lentamente, que gostam mesmo um do outro. Ele pede desculpa pelo que disse ao Pete, porque estava magoado e, obviamente, não sentia nada do que disse no momento, sendo que percebe também que, por ela ter voltado atrás, também sentia ali uma ligação. Após fazerem um "Titanic", a Bea cai ao mar e ele salta lá para a dentro para a salvar, vão para uma boia à espera de serem resgatados e fazem as pazes em definitivo, finalmente. Ela revela que desistiu do curso e ele aponta para o facto de quando se conheceram ela ter dito que não queria ser advogada, o que a faz perceber primeiro, que ele ainda se lembra disso e segundo, que ele ainda deve gostar dela, provavelmente. Enquanto ascendem para o helicóptero de resgate ele começa a ficar nervoso e então ela canta-lhe a sua música de serenidade, "Unwritten" da Natasha Bedingfield. Como é que ela sabe a música? Têm de ver o filme porque eu não vou explicar a cena em que ela descobre, tem mesmo de ser visto.
Voltam para casa, dormem juntos, ela diz algo que o deixa com dúvidas e ele vai-se embora enquanto ela dorme. Dia seguinte o Ben fala com o Pete, onde revela não ter a certeza se quer tentar algo com a Bea e menciona que ela abandonou o curso, o que o Pete decide contar a toda a gente. A Bea só tinha contado esta informação ao Ben, por isso fica muito chateada com ele e têm uma grande discussão em frente a todos, onde o bolo do casamento cai no chão por causa do cão mas, aparentemente, isso é culpa deles. Dia do casamento, o dito cujo acontece, a ex do Ben beija-o, a Bea vai-se embora, ele apercebe-se em definitivo que gosta de Bea, toda a gente encoraja-o a ir atrás dela e ele decide saltar de um penhasco e falece, fim! Imaginem só se o filme acabasse assim, mas não. Ele salta para que o helicóptero de resgate o venha buscar ao mar, para o levar ao sítio que lhe tinha prometido levar quando estavam na boia, romântico e de certeza que havia uma maneira mais simples de explicar isto e todo o plot mas aqui estamos nós. O Ben chega ao sítio, onde a Bea estava, falam um pouco e percebem que se amam, beijam-se e rolam os créditos, onde toda a gente está a cantar a música da Natasha Bedingfield durante as diferentes cenas do filme.
Não estava à espera de precisar de três parágrafos para explicar um filme tão formulaico, jesus. Honestamente, este filme não trás nada de novo a este género de filmes, não é nenhum crime, mas é o que é. A história... funciona, minimamente mas funciona. É compreensível que ambos tenham ficado chateados um com o outro, menos compreensível terem ficado chateados um com o outro durante ano e meio enquanto foram obrigados a ter de interagir devido às suas ligações com o casal, mais os seis meses antes disso. Eu quero sempre acreditar que não existem pessoas assim tão densas ou infantis que recusam-se a comunicar e resolver um conflito destes, mas depois lembro-me de histórias mais ridículas com pessoas reais e afinal este tipo de filme até parece menos ridículo em comparação. Nem sei o que é pior, pessoas como as personagens principais irem a um casamento e criarem drama desnecessário sobre eles, ou o facto das restantes pessoas darem importância e piorarem ainda mais a situação ao tentarem juntá-los. Eu gosto das duas personagens principais, mas há que admitir, se fosse o nosso casamento ou o de amigos ou familiares próximos, o provável era ficarmos chateados a sério com eles, mas seguindo em frente.
O grande destaque do filme tem de ir para quem fez o casting, porque os dois atores principais têm uma química incrível, é sem dúvida onde o filme brilha. O Glen Powell e a Sydney Sweeney são excelentes em conjunto e todas as interações entre os dois são engraçadas e funcionam muito bem. O resto do elenco é okay, quem viu a série Friends ou viu filmes dos anos 90 deve conhecer o ator Dermot Mulroney, que faz de pai da Bea, e o ator que faz de Pete, Davionte Ganter, conhecido por Gata, é o mais engraçado das personagens secundárias.
É fácil perceber o porquê do filme ter tido sucesso, com os trailers a gerar interesse ao mostrarem alguns dos momentos mais engraçados do filme e pelo facto dos dois atores principais serem incrivelmente atraentes e também engraçados e talentosos... vocês é que estão com inveja eu não! Este filme teve sucesso e a bilheteira não mente, gastaram 25 milhões de dólares e geraram receitas a nível mundial na casa dos 150 milhões. Ter sucesso na bilheteira não quer dizer que um filme é bom, muitos bons filmes não tiveram grande sucesso logo quando saíram mas eventualmente ganharam notoriedade. Neste caso, é um bom filme e merece o seu sucesso. Nota final? Vamos lá.
Anyone But You: Todos Menos Tu - 6⭐⭐⭐⭐⭐⭐
- Miguel Caetano Caeiro

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