Argylle
Argylle foi realizado pelo diretor dos filmes do Kingsman, vai ser relevante mais tarde, Matthew Vaughn e tem um elenco de luxo com nome como Bryce Dallas Howard, Sam Rockwell, Henry Cavill, Samuel L. Jackson, Bryan Cranston, John Cena e Dua Lipa. Fica desde já o aviso, quem não viu o filme e tem interesse em ver, não leia o texto daqui para a frente, porque este é daqueles que se tem mesmo de ver para formar a própria opinião.
O plot é sem dúvida interessante e percebo o porquê de pegarem no livro para fazer um filme, sim, o filme é baseado num livro também chamado Argylle e a escritora fantasma chama-se Elly Conway, sendo que existem rumores que pode ser a Taylor Swift, mas sem grande mérito pelo que pesquisei, porque a identidade é mesmo um mistério e esse rumor foi negado pelo realizador, apesar de que se fosse a Taylor Swift seria exatamente isso que diriam. Mas a história e o filme são muito divertidos, com uma série de voltas e "plot twists" ao longo da narrativa. Temos a introdução de personagem que percebemos que está dentro de um livro, depois a Elly Conway (Bryce Dallas Howard) descobre através do Aidan Wilde (Sam Rockwell) que a história dos seus livros existe na vida real e ainda está a acontecer no presente momento, descobre que os seus pais são na realidade membros da organização nefasta dos seus livros e ainda mais tarde descobre que na realidade é uma espiã que perdeu a memória numa missão e foi mentalmente manipulada pela organização para obterem informação dela.
Um pequeno espaço aqui para respirar e refletir por um momento no que escrevi até agora. Por esta altura a Elly sabia que as histórias dos seus livros não só eram reais como ela era o agente Argylle, sendo que o verdadeiro nome dela era Rachel Kylle, R. Kylle, perceberam? Han, han? Ela era a espiã no qual as suas histórias eram inspiradas inconscientemente, tudo graças à manipulação ou "brainwashing" da organização e do Diretor Ritter (Bryan Cranston). A próxima revelação é que ela estava, na realidade, a trabalhar para os dois lados, para o Ritter e com o Aidan, com a nova grande dúvida no filme a ser onde estava a verdadeira lealdade dela antes de perder a memória. Devo dizer que este twist é excelente, um dos momentos mais tensos do filme, já que por esta altura a Elly já tinha recuperado várias memórias e estava nesta fase, aparentemente, a trabalhar novamente para o diretor. Óbvio que não estava interessada em trabalhar com os vilões e a sua lealdade estava com o Aidan e o Alfie (Samuel L. Jackson), o que nos lança para o confronto final do filme, cenas que vou falar em seguida, e a sua resolução, onde derrotam a organização.
Começo por dizer que o budget do filme, segundo fontes como Screen Rant e Variety Magazine, ronda os 200 milhões de dólares, um pouco menos que isso. A minha questão é, como é que os efeitos são tão maus e a maioria dos locais são, ou parecem ser, em green screen? A perseguição inicial do filme, da personagem do Argylle à Lagrange (Dua Lipa) é tão má que é cómica. Ao longo de todo o filme a qualidade da imagem é tudo menos brilhante, parece barato, como já vi ser dito numa review, e tenho de concordar. Com tanto dinheiro, esperava muito mais qualidade. E este dinheiro não vai ser recuperado, precisam de 300 milhões de dólares só para não gerar prejuízo, e parece que vão ficar bem longe, o que pode prejudicar as chances de uma sequela, já que o plano é fazer uma trilogia destes filmes, com a cena a meio dos créditos a ser um chamado "sequel bait". O plano destes filmes é que façam parte do universo dos filmes do Kingsman, onde a personagem do Argylle mas mais jovem, 20 anos antes dos acontecimentos deste filme, vai a um bar chamado The King's Man e faz um pedido especifico, onde o bartender lhe dá uma caixa com uma pistola dentro. Apesar disto, se a recepção continuar a ser tão negativa ao filme, possíveis sequelas e um crossover com o Kingsman podem estar em risco de não acontecer.
A história não é necessariamente complicada, é simples de seguir mas confunde-se a ela mesma, porque quanto mais pensamos em certas coisas que acontecem no filme, menos elas fazem sentido. Compreendo que é suposto ser um filme leve e engraçado, e claramente conseguiu o que queria nesses aspetos, mas a história tem de fazer sentido dentro de si mesma. Por exemplo, a Elly tem a sua mente manipulada, mas porquê? Tanto quanto sabemos, o Diretor Ritter não desconfiava que ela estava a trabalhar para os dois lados, ou melhor, ele acreditava que ela estava do lado dele antes de perder a memória, então porquê ir por todo este processo de esperar que ela escreva os livros para obter mais informação sobre todos os acontecimentos que ela viveu? O Ritter nunca deu a entender que desconfiava que ela estava a jogar nos dois lados mas contra ele, por isso toda esta situação não faz sentido, serve só para adicionar tensão artificial no filme. Bastava só fazerem a personagem dizer que estava desconfiado dela e foi por isso que lhe alterou as memórias, até podia só dar a entender que desconfiava que ela o estava a enganar, mas nada foi mostrado ao espectador que esse era o caso.
Falando de algo que foi algo forçado, a personagem que era parceira da Elly e do Aidan a regressar no final do filme para os salvar foi qualquer coisa. Então ela sobreviveu porque o tiro que lhe acertou em cheio no coração passou por um corredor de sensivelmente 2 centímetros. Esta decide mandar um mail a dizer como a sua personagem podia voltar à vida no sexto livro desta forma. A Elly, quando está a fingir que está a ajudar os vilões, acerta em cheio no sitio certo no coração do Aidan para replicar essa situação, porque se lembrou desse mail, fez a pesquisa e confiou que ia funcionar? Jesus... Ao menos quando a personagem do Sam Rockwell questiona tudo isto no filme é engraçado, mas não desculpa o quão ridículo isso é, mesmo dentro dos parâmetros do universo do filme.
Gostei das performances, o Sam Rockwell foi espetacular, não falhou uma única cena, a Bryce Dallas Howard esteve também muito bem, tiveram uma boa química, o Bryan Cranston é um grande ator mas sinto que podiam ter dado mais nuance à personagem, já que este é basicamente uma série de estereótipos de vilões, mas nada aponto ao ator. O Samuel L. Jackson foi muito pouco utilizado, tal como o John Cena e a Dua Lipa, mas foram todos excelentes enquanto estiveram em cena. O Henry Cavill também acabou por ser pouco utilizado mas esteve muito bem, espero poder vê-lo a fazer mais filmes de comédia no futuro. Destaco também de novo a Dua Lipa, acho que tem tudo para entrar no mundo do cinema e ter sucesso se assim o quiser.
Eu gostei do filme, acho que teve boas performances, alguns momentos do filme que quero destacar são a cena em Londres, onde todas as personagens estão a tentar obter a mesma informação, a edição esteve incrível, a cortar entre as personagens a falarem entre si. Toda a comédia do filme esteve a um bom nível, eu gostei. Mesmo as cenas de ação e combate também foram interessantes e com um estilo próprio, e a própria história é cativante, a execução da mesma é que deixou algo a desejar. O mesmo se pode dizer dos efeitos especiais. Gostei da cena perto do fim do filme, onde a Elly e o Aidan estão a lutar e a dançar no meio do fumo, é incrivelmente ridículo mas funciona, o mesmo não posso dizer da luta de arena com o petróleo no chão, que foi ridículo no mau sentido da palavra. É mais uma situação onde é possível ver a fraca qualidade dos efeitos, acho que podiam cortar essa cena do filme e só saíam a ganhar.
P.S: Meses mais tarde, em Agosto de 2024, decidi baixar o rating de 6 para 5.
Argylle: Espião Secreto - 5⭐⭐⭐⭐⭐
- Miguel Caetano Caeiro

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