Dune: Part Two

 


    Dune: Part Two é um clássico moderno, não há como enganar. Daqui a 20 ou 30 anos vamos olhar para trás e perceber que vivemos durante a era do Dune, colocando a franquia de filmes ao lado de clássicos como a trilogia original do Star Wars de George Lucas, a trilogia do Batman de Christopher Nolan, a trilogia do Senhor dos Anéis de Peter Jackson, a trilogia do The Godfather de Francis Ford Coppola, entre muitos outros. Arrisco-me a dizer que este filme já ultrapassou qualquer filme feito no universo Star Wars, mas tenho de rever a trilogia original de novo para ter a certeza disso. Em termos de adaptações de livros para o grande ecrã, parece-me que só já o Senhor dos Anéis se mantém acima do Dune moderno, é difícil fazer melhor que isto.

    Denis Villeneuve continua a mostrar ser um dos melhores realizadores da atualidade e fez aqui o melhor filme da sua carreira, até agora. Quando um artista talentoso consegue juntar a si uma série de artistas igualmente talentosos e é-lhe permitido criar a sua visão, este é o resultado final, espero que Hollywood esteja a tirar notas. Os efeitos visuais são absolutamente deslumbrantes, o pico do cinema, mas a história é o que vai continuar a atrair as audiências ao longo do tempo, ambos os pontos são importantes, mas efeitos visuais sem uma história cativante e bem contada não chega.

    Nunca li os livros nem vi os filmes e séries já feitas baseadas nos livros, por isso estou a julgar este filme e o anterior apenas e exclusivamente pelo seu mérito enquanto filmes e com a percepção de que são uma adaptação. A história do Dune é incrível, durante quase 3 horas esquecemo-nos do mundo lá fora e focamo-nos neste universo, no planeta de Arrakis durante a larga maioria do filme, com certas partes do filme a passarem-se algures noutros planetas, noutros lugares com outras personagens. Paul Atreides é um messias que tenta negar ao longo do filme que é, de facto, o escolhido, mostrando-se cético ou, pelo menos, teme o poder que lhe é entregue pelas profecias e as suas visões. Quando este obtém o conhecimento do futuro, ao beber a "Água da Vida", ganha um novo nível de confiança e assertividade nas suas decisões, mas percebe que não vai poder viver a vida que quer, quase como que um escravo do destino. Faz-me lembrar um certo anime que terminou no fim do ano passado, mais não digo!

    O primeiro filme sofreu por ser o início de uma trilogia, foi como o primeiro ato de uma história mais longa, e como os restantes filmes ainda estavam longe de estrear foi julgado de uma forma mais dura, mas acho que agora todos podem olhar para trás e apreciar a base para este magnífica trilogia de filmes. Este filme em si é longo mas nunca senti o peso do seu tamanho, não lhe mudava absolutamente nada. Todas as cenas são fundamentais e tudo o que nos é mostrado no ecrã é importante, ou para a história, ou para nos fazer perceber de uma forma subliminar o que está à nossa frente sem nos dizer diretamente, chama-se cinematografia eu sei, é só que este filme o faz de forma altamente eficaz. Este filme não para de trabalhar deste a primeira imagem no ecrã até à última, estilo e substância ao mais alto nível.

    Todos os atores são excelentes neste filme, quase que não há palavras para a performance do elenco deste filme, com o Timothée Chalamet, a Zendaya, o Javier Bardem e a Rebecca Ferguson a terem o grande destaque. O Timothée Chalamet lançou já a sua candidatura aos Óscares de 2025 com a performance que teve aqui, além do Denis Villeneuve, como seria óbvio. Aliás, este elenco é ridículo, vou só deixar aqui mais alguns nomes só porque sim; Josh Brolin, Florence Pugh, Christopher Walken, Stellan Skarsgard, Léa Seydoux, Austin Butler... Efeitos visuais e um estilo incrível, com Greig Fraser, diretor de fotografia deste filme e de filmes como Star Wars: Rogue One e Vice, além de alguns episódios na primeira temporada de The Mandalorian, a merecer destaque. Hanz Zimmer compôs a música e, como sempre, não falhou e criou mais uma trilha sonora lendária para juntar ao seu currículo. Toda a equipa, todas as pessoas que trabalharam neste filme, estão de parabéns.

    Suponho que ainda hei de ter de falar do primeiro, mas para já está bom. Mais um grande filme para meter na minha lista de filmes vistos no cinema, além de terminar a série de filmes de 6⭐ que vi no cinema até agora neste ano de 2024, finalmente!


Dune: Part Two - 10⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐


- Miguel Caetano Caeiro

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