Fallout (1ª Temporada)
Fallout, que bela série e que bela surpresa. Não estava nada à espera que fosse tão boa. Digo já que sou um fã dos jogos, joguei primeiro ao Fallout 4, seguido do Fallout 3, Fallout: New Vegas e ainda experimentei o Fallout 76, mas não sou grande apreciador deste, com o meu favorito a ser o New Vegas, tudo jogos que hei-de ter de falar por aqui eventualmente, mas agora é a vez da série. Vamos lá a isso.
As minhas expectativas para esta série não estavam particularmente altas, mas ficava feliz se fosse um 7/10, para minha surpresa, foi bem melhor que isso. Fallout é um universo pós-apocalíptico, com a origem desse apocalípse a originar de uma guerra que durou apenas duas horas, com a China e os Estados Unidos da América a lançarem bombas nucleares por todo o mundo em retaliação uma à outra, sem nunca se saber quem foi que lançou a primeira bomba. Há muito mais história e contexto para tudo o que aconteceu, mas isto basta para quem não jogou aos jogos e vai ver ou viu a série. Relevante mencionar que a história da série é completamente original e faz parte do universo dos jogos, está tudo conectado.
Esta série tem como escritores Chaz Hawkins, Geneva Robertson-Dworet e Graham Wagner, além de ter Jonathan Nolan, irmão de Christopher Nolan, a realizar três episódios. Clare Kilner, Frederick Toye, Daniel Gray Longino e Wayne Yip realizaram os restantes episódios. Clare Kilner realizou episódios para Gen V e House of the Dragon, e Frederick Toye realizou episódios em imensas séries, entre elas The Walking Dead, The Boys e Shogun, uma das séries de sucesso na altura em que escrevo este texto, ainda não vi mas estou curioso para ver.
A série segue quatro personagens, Lucy (Ella Purnell), Norm (Moises Arias), Maximus (Aaron Moten), e Cooper Howard ou Ghoul (Walton Goggins). Lucy e Norm são dois irmãos que vivem num bunker ou vault, como são chamados em inglês e a versão que prefiro utilizar, já que em português não há nenhuma palavra decente para traduzir. Maximus faz parte da Brotherhood of Steel e o seu objetivo é tornar-se num knight e usar power armor. Ghoul é um bounty hunter, basicamente um cowboy dos tempos pós-apocalípticos. É também um ghoul, um ser humano que foi exposto a demasiada radiação e ficou desfigurado mas que devido a isso torna-se basicamente imortal. Imortal no sentido em que não morre de doenças, se levar um tiro na cabeça morre como o resto dos meros mortais., ou vários tiros.
Destas personagens principais, diria que a Lucy e o Cooper são as principais das principais, com a Lucy a iniciar a sua jornada após o seu pai ser raptado no primeiro episódio, com esta a sair do vault à sua procura. O Cooper é um caso interessante, este viveu nos tempos antes da Grande Guerra, aquela que referi anteriormente, sendo que era um ator conhecido e fez parte da imagem pública da Vault-Tec, a empresa que construiu os vaults e que, quem jogou os jogos e quem viu toda a temporada sabe que esta empresa tinha interesse no desenvolvimento de uma guerra nuclear. Vemos também que ele não tinha grande interesse em se tornar na cara da empresa mas a mulher dele trabalhava lá e deu no que deu. Os flashbacks para a sua vida antes de tudo o que aconteceu são muito interessantes e dão-nos uma perspectiva que não obtemos muito nos jogos.
O Maximus começa a sua jornada como alguém disposto a fazer o que for preciso para conseguir aquilo que quer, incluindo deixar o seu knight morrer e ficar com a sua armadura, além da incógnita ao longo da temporada de não sabermos se ele colocou aquela lâmina no sapato do Dane, o seu amigo no regimento, algo que descobrimos no fim da temporada, tendo sido o próprio Dane a colocar a lâmina lá. Durante o seu tempo na Wasteland, e sobretudo quando acompanha a Lucy, vê-se o seu lado mais nobre e correto, e é daquelas personagens que se sente a mudança do primeiro para o último episódio. Por fim, o Norm, um dos pontos altos da série, não estava à espera que a sua história no vault fosse tão interessante e a personagem tão cativante, apesar de que aí tenho de tirar o meu chapéu ao ator, e não só a ele como a todos os atores.
Falando dos atores e sobretudo dos principais, Ella Purnell, que faz a voz de Jinx na série Arcane, é incrível em ambas as séries, Walton Goggins é tão carismático em tudo o que faz e aqui parece que esta personagem foi feita para ele. Aaron Moten também esteve muito bem como Maximus, mas o Moises Arias apanhou-me de surpresa, primeiro de tudo, ele era o puto da série da Hannah Montana e de várias outras séries da Disney, assim que vi referência a isso o meu cérebro desbloqueou e consegui ver e reconhecer a cara dele, e depois a performance dele nesta série é excepcional também, acho que o maior motivo para toda a intriga no vault funcionar da maneira que funciona é devido à performance dele, muito bom.
Uma coisa que esta série acerta em cheio é a atmosfera deste mundo, posso dizer que ao ver esta série dá para perceber a atmosfera dos jogos e como este mundo funciona, é extraordinário a atenção ao detalhe de pequenas coisas como uma personagem a hackear um computador e o ecrã é exatamente igual àquele que aparece no jogo, ou o som da radiação quando se aproximam de algo com altos níveis de radiação, ou o facto de as cenas em câmara lenta serem uma referência ao sistema de combate dos jogos desenvolvidos pela Bethesda, em que paramos o tempo para escolher onde queremos disparar ou atacar uma parte específica do corpo do oponente e depois esse ataque acontece também em câmara lenta, algo que nem me apercebi até ver um comentário nas redes sociais a aludir a isto. Incrível. Houve um grande nível de amor e carinho no desenvolvimento desta série e espero que continue assim para a 2ª temporada que já está confirmada!
Importante ainda mencionar o quão violenta a ação consegue ser, muito ao estilo dos jogos, com partes do corpo a voarem ou a desaparecer após serem baleadas, muito sangue, mas ao mesmo tempo tem aquele humor negro, novamente muito característico dos jogos, como já disse, acertaram em cheio na atmosfera e nas vibes dos jogos nesta adaptação, incluindo a música, retirando muitas delas diretamente dos jogos para a série, não se pode falar de Fallout sem mencionar a música pré anos 60, tão nostálgica sem nunca a teres ouvido na tua vida. Há espaço para melhorar sem dúvida, e existem atualmente algumas dúvidas relativamente a datas apresentadas na série que podem entrar em conflito com aquilo já estabelecido no universo que a série está inserida, mas acredito que na 2ª temporada essas confusões sejam resolvidas.
Não precisas de ser fã dos jogos para ver esta série, mas se jogares aos jogos ganhas um nível de apreciação ainda maior pelo que aqui foi feito, é mais uma excelente adaptação de um videojogo, a acompanhar Arcane e The Last Of Us, mas dou um bónus extra aqui porque estão a criar uma história completamente original com personagens novas que vão ficar inseridas dentro do universo dos próprios jogos, é uma grande responsabilidade e até agora acertaram em cheio. E a melhor parte é que ainda há espaço para melhorar, que venha daí a segunda temporada!
Fallout - 9⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐
- Miguel Caetano Caeiro

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