Invincible (1ª e 2ª Temporada)

 


    Invincible é, possivelmente, um dos melhores conteúdos de super-heróis que eu já vi. É como a série The Boys, que terei de falar eventualmente e quase de certeza após sair a próxima temporada, mas ainda mais bruto na ação que mostra e na exploração do que é ser um super-herói e toda a responsabilidade que esse título acarreta. Série baseada na banda desenhada da autoria de Robert Kirkman, criador de outra banda desenhada que se tornou numa das séries mais mediáticas do seu tempo, The Walking Dead. Atores como Steven Yeun, mais conhecido como o Glenn do The Walking Dead, J.K. Simmons, Sandra Oh, Zazie Beetz, Walton Goggins, Gillian Jacobs, Jason Mantzoukas, Seth Rogen, e por aí em diante, um elenco fenomenal de atores. Só por aqui já temos parte da receita para o sucesso desta série, mas é mesmo a história que brilha nesta produção.

    Mark Grayson, mais conhecido como Invincible após obter os seus poderes, é um jovem a acabar o secundário na primeira temporada e na universidade na segunda, que tem como pai o super-herói mais forte do planeta, o Omni-Man, ou Nolan Grayson. A sua mãe é a Debbie Grayson, que não tem quaisquer poderes. Para tornar o texto mais simples, vou fazer uma clara separação entre as temporadas, mencionando personagens secundárias consoante o que achar necessário.

1ª Temporada

    A 1ª temporada tem na sua base o mistério daquilo que acontece no final do primeiro episódio. Spoilers daqui para a frente. O Omni-Man destrói por completo os Guardiões, isto é, A Liga da Justiça neste universo, ao matar toda a equipa menos o Immortal, mas só descobrimos que este não morreu mais tarde, além de que está no nome não é? Todo o resto da temporada segue com várias personagens a tentar perceber o que aconteceu, sobretudo o Cecil, uma espécie de Nick Fury dos Guardiões, sendo a autoridade mais alta desta instituição. Damien Darkblood, basicamente uma personagem baseada, pelo menos visualmente, no Hellboy, é um detetive que descobre o que aconteceu, mas Cecil, que por essa altura já tinha também descoberto a verdade, queria perceber porque é que o Omni-Man fez o que fez, banindo ou exorcizando o Damien para o Inferno, já que este continuou a investigação após ter sido ordenado a parar, e porque este é um demónio.

    Esta temporada tem também a evolução do Mark, que desenvolveu os seus poderes relativamente tarde mas assim que estes aparecem, o Omni-Man faz aquilo que faz no fim do primeiro episódio. Porquê? Porque o Omni-Man é um alienígena vindo do planeta Viltrum para subjugar a humanidade, e agora que o seu filho desenvolveu poderes ele pode passar à próxima fase do plano, que é enfraquecer o planeta para tornar mais fácil a sua subjugação. Isto é o que Cecil queria saber e o que é revelado no fim da temporada.

    Ao mesmo tempo que tudo isto se desenrola, o Mark começa a entrar no mundo dos super-heróis, entra uma nova fornada de Guardiões, com várias personagens relevantes daqui para a frente e que não vão morrer de forma chocante num espaço inferior a cinco minutos. Alguns dos heróis importantes são a Atom Eve, Rex Splode, Rudy ou Robot, Dupli-Kate, Monster Girl entre outros. O Mark tem também o seu melhor amigo, o William e a sua eventual namorada, a Amber. Existem ainda os irmãos Mauler, gémeos que são como vilões recorrentes na série. Existe ainda o Alan, um alien com apenas um olho e que se torna mais relevante a partir da segunda temporada, mas vale a pena mencioná-lo ainda na primeira.

    O final da temporada tem uma das lutas mais desequilibradas e violentas que se pode encontrar em qualquer tipo de série ou filme, tão gráfico que mesmo sendo desenho animado consegue causar um impacto notável no espectador. O Mark luta contra o seu pai e perde a luta fisicamente, mas estou confiante em dizer que o simples facto de ter sobrevivido e as suas palavras terem levado o Omni-Man a ir-se embora do planeta, tornam-no no vencedor moral daquele embate, para o bem da humanidade.

    Aconteceram muitas mais coisas, mas estou a tentar focar-me nos pontos fulcrais da ação da história. Nota para a conversa entre o Omni-Man e o Mark, quando o primeiro refere-se à sua mulher como um animal de estimação, um ponto determinante para a personagem da Debbie daqui para a frente.

2ª Temporada

    Esta temporada é, em boa parte, mais "deprimente", no sentido em que boa parte das personagens estão a lidar com o resultado das ações e palavras do Omni-Man, em particular o Mark e a Debbie, por motivos óbvios. A luta traumatizou o Mark e deixou-o numa posição muito difícil, onde este é a melhor aposta para defender o planeta quando um inevitável ataque do império viltrumite acontecer, ao mesmo tempo que este ainda está a aprender a controlar e a fortalecer o seu poder. Ao mesmo tempo ao mesmo tempo, está a tentar processar os eventos que aconteceram, uma sensação de amor-ódio pelo pai, enquanto que vai começar a universidade, e manter a sua relação com a Amber, além da responsabilidade que sente devido aos seus poderes, é muita coisa ao mesmo tempo para um jovem de 18 anos, ou para qualquer pessoa na realidade.

    A Debbie está a lidar com o facto de todo o relacionamento que teve com o seu marido ter sido, em parte, uma mentira, além da culpa que sente em relação às pessoas que este matou e destruiu as vidas. O Donald, braço direito do Cecil, que podia ter mencionado no texto da primeira temporada mas não fiz, processe-me, descobre que foi morto pelo Omni-Man e isto deixa-o com uma grande crise existencial. Mais tarde na temporada descobrimos que este já morreu um elevado número de vezes mas fez a escolha consciente de apagar ou omitir essas mortes de si mesmo, para poder continuar o seu trabalho, para mim foi um dos pontos mais interessantes da temporada. A Atom Eve está também a lidar com assuntos duros, neste caso é o impacto das suas decisões e de como utiliza os seus poderes, já que esta consegue criar materiais e infraestruturas do nada, ela é uma das personagens com maior potencial de poder nesta série, o poder dela basicamente depende da sua imaginação, é praticamente uma deusa quando começamos a pensar bem nisto.

    O Rudy, que transferiu a sua consciência para um clone do Rex Splode jovem durante a primeira temporada com a ajuda dos irmãos Mauler, sim esta série é qualquer coisa, está a tentar aprender a perder o medo que desenvolveu agora que tem um corpo enquanto está a trabalhar no campo, ao mesmo tempo que tenta ajudar a Monster Girl, já que esta personagem é o Hulk mas cada vez que se transforma fica mais jovem, o que é de facto preocupante. Estes dois claramente têm interesse um no outro mas as implicações do seu relacionamento são francamente complicadas, prefiro lidar com isso quando, de facto, acontecer.

    O Alan volta ao seu planeta depois de ter visitado a Terra, vê-se obrigado a lutar contra viltrumites, quase morre, e enquanto está no hospital o líder da rebelião contra o império viltrumite decide desligar-lhe as máquinas e, na prática, mata-o. Já voltamos a esta história.

    O Mark é convencido por um inseto a ir ajudar o planeta deste, mas quando lá chega descobre que é o seu pai por trás deste plano de o atrair lá, com o Omni-Man a tornar-se no protetor deste planeta, rejeitando assim a sua missão para o império viltrumite, e a ter um filho lá. Enquanto isto acontece chegam lá viltrumites, existe uma luta entre o Mark e o pai dele contra os invasores, que acaba com o Omni-Man a ser capturado para ser executado futuramente, e com o Mark a ser obrigado a ficar com as obrigações do seu pai no planeta Terra, algo que ele, obviamente, não vai seguir. Conseguiu ainda assim salvar o seu irmão no meio da confusão. Após ajudar a reconstruir a civilização do planeta, que durou à volta de um mês se não estou em erro, este volta para a Terra com o seu novo irmão, já que a vida destes insetos é drasticamente inferior à de humanos, vivendo em média um ano apenas, o que obriga a mãe do bebé a pedir a Mark para o levar com ele.

    Descobrimos que o Alan sobreviveu e está muito mais forte agora, capaz de lutar contra viltrumites taco a taco. Esta era a aposta do líder da rebelião, que lhe revela ser um viltrumite. Sim, o líder da rebelião é mais um viltrumite que virou as costas ao império, estou a começar a notar um padrão.

    Nesta temporada vemos a relação do Mark com a Amber a ser posta à prova constantemente e, no fim, estes acabam mesmo por terminar a relação devido à incompatibilidade das suas vidas e ao perigo que a Amber corre ao estar relacionada com o Mark, triste mas esperado.

    Chegando agora ao fim, tivemos um vilão ao longo da temporada, ainda que não muito presente, que foi o Angstrom Levy. Apareceu no início e no fim da temporada. Esta personagem utiliza portais entre diferentes realidades como a sua maior arma. Vemos que muitas versões desta personagem viram o Mark como inimigo, já que em várias realidades ele junta-se ao seu pai e dominam o planeta Terra. Com isto, o Levy desta realidade tenta mergir a memória de várias versões de si mesmo para, no fundo, erradicar doenças ou algo assim, o plano não importa muito, o que interessa é que enquanto este processo decorria, o Mark estava a ser espancado violentamente e perto de morrer, o Levy parou o processo porque não queria que ninguém morresse nesta situação e a maquineta explodiu, matando as versões todas dele e com este a ficar paranóico e a querer matar o Mark, já que quase todas as memórias que vê, provenientes das suas versões alternativas, são de várias versões do Invincible a fazer alguma atrocidade.

        No último episódio vemos o confronto entre o Invincible e o Angstrom Levy, com o Levy a fazer refém a mãe e o irmão do Mark. Os portais lançam-no para diversas realidades, entre elas uma com um Homem-Aranha alternativo, um Easter Egg de homenagem ao Into the Spider-VerseAcross the Spider-Verse e ao último filme do Homem-Aranha na Marvel. O fim do embate vê estes dois a saltarem por vários universos na sua luta e a acabar com o Invincible a matar o Angstrom Levy, a primeira vez que ele mata um vilão direto, um momento emocional, catártico, de arrependimento e mágoa. Um momento fenomenal. Acaba por ser resgatado por uma versão futura dos Guardiões, onde essa Atom Eve revela que sempre o amou e para este falar com a sua versão jovem e para lhe dar algum tipo de conclusão, reciprocar os seus sentimentos ou dizer-lhe que não sente o mesmo. Draaaaamaaaaa!


    Chegamos agora a campo neutro, com as duas temporadas faladas. Gostei da maneira como os finais das duas temporadas se sobrepõem, na maneira em que no final da primeira temporada tem um final em derrota que sabe a vitória, ainda que seja uma vitória mais no sentido de instinto de mera sobrevivência, enquanto que o final da segunda temporada tem uma vitória com sabor a derrota, com o Mark a matar um inimigo, a perder o controlo das suas emoções e a desbloquear o seu poder. No fundo, ele fez aquilo que os viltrumites e o seu pai queriam que ele fizesse, lutar para matar, como que a concluir a sua transição para desbloquear todo o seu potencial, como referi atrás, mas a que custo? Vamos ver como isto vai afetar o Mark daqui para a frente.

    A história nestas primeiras temporadas foi fenomenal e ainda está mais para vir e mal posso esperar pela terceira temporada. Só espero que deem tempo aos animadores para fazer o seu trabalho, já que na primeira temporada tivemos vários momentos com animação incrível, sobretudo nas lutas. A segunda temporada também tem excelente ação, mas acho que a primeira temporada foi mais impressionante nesse parâmetro. Espero mesmo que deem tempo e lancem a temporada apenas quando tudo estiver completo e que tenham tempo para fazer tudo bem, porque esta história merece a melhor animação possível.


Invincible - 10⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐


- Miguel Caetano Caeiro

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