Kingdom of the Planet of the Apes

 

    Kingdom of the Planet of the Apes é o 4º filme da franquia do Planeta dos Macacos e a sequela pós trilogia do Caesar, passando-se várias gerações depois, ou 300 anos para quem for ver na Wikipédia. É um bom filme, mas é tão bom como a trilogia que o antecede? Na minha opinião, não, mas tem imenso potencial e futuros filmes que venham, já que isto é suposto ser uma nova trilogia, podem adicionar valor a este primeiro, mas falemos agora sobre o filme em si.

    Noa é a personagem principal do filme, e este faz parte de uma tribo que treina águias. A sua tribo é atacada, com a larga maioria a serem raptados, entre eles a sua mãe e os seus dois amigos, Soona e Anaya. O seu pai acaba morto e o Noa, no meio da luta, acaba inconsciente no meio da destruição. Após descobrir o corpo do pai, enterra-o e parte em busca da sua tribo. Pelo caminho encontra Raka, um orangotango que diz ser da ordem do Caesar, que tenta manter o verdadeiro significado dos ensinamentos do primeiro líder dos macacos. O Raka junta-se à viagem do Noa e seguem juntos. Em seguida detectam que uma humana os está a seguir e os observa à distância. Importante notar que por esta altura o Noa já tinha tido contacto com esta humana, nomeadamente na vila que foi destruída, tendo aparecido à noite numa tenda, pouco tempo antes de terem sido atacados, com a "interação" a ser curta e sem o Noa conseguir decifrar ao certo quem era, desconfiando ser um "Eco", que descobrimos ser a palavra que usam para designar humanos, pelo menos esta tribo, já que o Raka fica confuso quando ouve este termo. Raka atira alguma fruta para ela comer e ela sai das sombras para ir buscar a comida, com o Noa muito reticente em relação à situação. Ela junta-se ao grupo. Importante referir que, por esta altura, a maioria dos humanos que restam, que não são muitos, não falam, vivem quase como se tivessem voltado à Idade da Pedra, e esta humana também não disse qualquer palavra até ao momento, o que os leva a crer que é igual aos outros.

    O grupo encontra um grupo de humanos primitivos e decidem separar-se, com o Noa a continuar a sua jornada enquanto que o Raka e a Nova, que foi o nome que o Raka lhe deu, igual ao da menina pequena no terceiro filme, parece que ficou imortalizado de alguma maneira, iriam ficar perto dos humanos. Esse plano vai por água abaixo ao fim de 20 segundos, quando o grupo que atacou a tribo do Noa começa a caçar e capturar os humanos presentes. O Raka e a Nova acabam separados, com a humana a acabar num campo com plantações altas e os macacos à sua procura. O Noa, que já estava alertado do que tinha acabado de acontecer, foi à procura da dupla e grita pelos dois. Nova, desesperada, grita pelo nome dele, o que deixa todos os macacos na área, incluindo o Noa, estupefatos. O Noa, que está montado num cavalo, cavalga o mais rápido possível até ela, com um gorila, aquele que matou o pai do Noa, a seguir atrás dela. O Noa chega primeiro e assim fogem, reunindo-se de seguida com o Raka.

    Assim que chegaram a um lugar seguro, a Nova, que revela chamar-se Mae, abre o jogo e revela que consegue falar, obviamente, admitindo que só não falou por uma questão da sua segurança. No dia seguinte seguem viagem e acabam capturados, nomeadamente o Noa e a Mae, com o Raka a acabar perdido num rio, presumidamente morto, mas provavelmente para chocar a audiência no seu regresso no próximo filme, pelo menos essa é a minha teoria. Os dois são levados para a base deste grupo e aqui descobre-se o que está em jogo. Este grupo é liderado pelo Proximus Caesar, um líder tirânico que anda a subjugar todas as tribos e comunidades de macacos que encontra e a integrá-los no seu Império, muito ao estilo do próprio Império Romano, clara inspiração para este líder. Ele precisa de mão-de-obra para tentar abrir um grande cofre ou forte, é uma instalação do governo, que contém imensa tecnologia humana que pode avançar a civilização dos macacos em centenas, senão milhares de anos para a frente. Isto é revelado pelo Proximus ao Noa e à Mae. O Noa teve direito a obter esta informação pois este revelou ser inteligente, ao consertar uma arma utilizada pelos macacos deste grupo, algo difícil e que só o humano ao serviço do Proximus consegue fazer, este humano chama-se Trevathan, e além de mexer com tecnologia ensina também o Proximus acerca de história humana, entre ela a do Império Romano, daí a inspiração anteriormente mencionada. A Mae obteve esta informação pois o Proximus desconfia que esta sabe o que está dentro do cofre e ele quer saber o que ela sabe, mas a Mae diz não saber o que está lá dentro nem como entrar. Mentira.

    O Noa, por esta altura, já se tinha reunido com a sua tribo, incluindo a mãe e os seus amigos. Após a conversa que teve com o Proximus, em que o líder admite não confiar nos humanos e querer a tecnologia para o benefício de todos os macacos, o Noa não ficou convencido, querendo apenas libertar a sua tribo, o que o leva a ir falar com a Mae. Ela admite saber o que está lá dentro e como entrar, ainda que não tenha sido muito específica acerca do que anda à procura. Decidem ajudar-se um ao outro, entrando dentro do cofre por um caminho que só macacos conseguiriam escalar. Além destes dois, Soona e Anaya também se juntam, os amigos do Noa. Enquanto estão a cumprir os primeiros passos do plano, o Trevathan encontra-os e tenta desencorajá-los a prosseguirem, quando não consegue, começa a ir embora mas a Mae salta para cima dele e mata-o, com os macacos a olharem com um ar de completa surpresa. Seguem então o caminho para dentro do cofre, a Mae vai buscar aquilo que pretendia, algo que irei revelar um pouco mais tarde, já que só é revelado na última cena do filme. Assim continua o plano, que é destruir tudo o que está lá dentro, com o Noa e a tribo a aproveitarem para fugir.

    Quando chegam ao portão que o Proximus tanto queria abrir, deparam-se com toda a gente do outro lado à sua espera, nomeadamente a tribo do Noa. Começa assim o confronto, com o Proximus a ameaçar o Noa e quando um macaco estava de arma apontada para a sua mãe, Mae dispara sobre esse macaco, matando-o e criando uma grande confusão, onde o Proximus diz que ela pode ir e o Noa pede para ela não continuar o plano, o que ela faz de seguida. Explode a barreira que impedia a água do mar de entrar na área, com todos os macacos a terem de subir por dentro da instalação que estava a inundar. Pelo caminho o Noa teve de escapar do gorila que matou o seu pai e que o estava a perseguir, numa cena incrivelmente tensa e muito bem dirigida, que acaba com o Noa a escapar por uma greta apenas grande o suficiente para si, com o gorila preso e a morrer afogado. Chegando ao topo, toda a tribo tinha sobrevivido, muito graças à liderança do Noa, mas o Proximus também conseguiu chegar ao topo, começando então a espancar o Noa. Quando este está no chão, quase derrotado, o Proximus pede para que ele se levante e que o reconheça como seu superior antes de ser morto. O Noa, vendo águias à sua volta no ar, começa a fazer o chamamento que o seu pai fazia às águias, algo que ele sempre quis conseguir fazer mas nunca tinha conseguido, e começa a entoar o cântico, juntando-se a ele o resto da tribo. Pela altura em que se tinha levantado, as águias começaram a atacar o Proximus e fizeram com que este caísse da falésia para a sua morte. Um protagonista bem diferente do resto.

    Passado algum tempo a Mae foi ter com ele à sua vila, local que estava agora a ser reconstruído, com estes a terem uma conversa. Não é perceptível o porquê de ela ter lá ido, talvez para verificar que estes tinham sobrevivido, mas o que é certo é que tinha a sua arma pronta a ser utilizada enquanto falava com o Noa, mas ao contrário do que ela esperava, este mostrou-lhe compaixão e deu-lhe inclusivamente um medalhão que o Raka lhe tinha dado antes de serem separados. Um banho de humildade para alguém que acredita que o planeta é propriedade dos humanos e de mais ninguém.

    A cena final vê a Mae a percorrer uma longa distância, encontrando-se com uma humana num fato impermeável e entrega-lhe aquilo que foi buscar ao cofre, algo que é utilizado pelos humanos dentro desta base subterrânea para entrar em contacto com outras comunidades através de comunicação com uso de satélites. Como é que os satélites ainda funcionam? Não sei, mas isso são já demasiadas perguntas meus amigos. Assim acaba o filme, e acho que dei uma descrição demasiado completa, mas agora já está escrito e não vou apagar.


    O que dizer sobre este filme? O CGI está incrível, absolutamente extraordinário e um exemplo de como utilizar todo o potencial desta tecnologia. As performances estão todas muito sólidas, com o Noa, interpretado por Owen Teague, Raka, Peter Macon, e o Proximus Caesar, Kevin Durand, a merecerem destaque. A todos os níveis técnicos este filme está muito bom, agora tenho alguns problemas com a história, ou mais especificamente, com uma personagem. A Mae, interpretada por Freya Allan, é uma personagem que me deixa em conflito interno. Por um lado, tem imenso espaço para crescer nas sequelas, se o plano for continuar a história destas personagens, e não tenho problemas nenhuns com a interpretação da atriz. Por outro lado, ela encapsula muito do lado negativo da humanidade, mentindo ao longo de todo o filme, mata literalmente o único outro humano presente na história, quase mata a tribo do Noa por motivos egoístas, pois não quer que os macacos obtenham tecnologia que os possa deixar ao nível da humanidade antes da pandemia, e no fim tem uma arma pronta para matar o Noa. Eu percebo que é tudo propositado e o grande objetivo será ela perceber o erro das suas ações e da sua maneira de pensar, pelo menos é o que espero que aconteça no próximo filme, a menos que façam dela uma vilã, o que seria menos interessante, em teoria. Como disse anteriormente, tal como o filme em si, também esta personagem tem imenso potencial, e a sequela pode elevar ambos.

    Destaco ainda a personagem do Noa, um protagonista diferente, onde não é a sua força física que o torna mais forte mas sim a sua inteligência, não que seja a primeira vez na história do cinema que existe uma personagem assim, mas ele tem algo de especial e acho que vai ser interessante ver a sua história a desenrolar nos próximos filmes. Um protagonista assim tem tudo para carregar a trilogia.

    Uma versão deste filme que eu gostava de ter visto era não terem aparecido humanos inteligentes ao longo do filme. Adaptava-se a história de modo a não existirem a Mae e o Trevathan, pelo menos neste filme, porque acho que a Mae podia aparecer só no segundo filme e o arco da personagem funcionaria à mesma. Podia continuar a haver a cena em que vêm os humanos primitivos, ainda que num contexto diferente, e davam-nos a ideia de que humanos inteligentes estavam extintos. Assim, na cena final ou durante ou pós créditos podiam mostrar alguma coisa, algum indício direto ou indireto da sua existência, como isca para a sequela. Teria sido interessante ter um filme do Planeta dos Macacos sem humanos pelo menos uma vez. Mas, como já escrevi, tal como escrevi a palavra tribo demasiadas vezes, o potencial desta trilogia é enorme e este filme convenceu-me a esperar pelo próximo, por isso fez algo bem. Não esteve no mesmo patamar dos filmes anteriores, mas não ficou longe.


Kingdom of the Planet of the Apes - 7⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐


- Miguel Caetano Caeiro

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