Planet of the Apes (Trilogia)


     Começo por dizer que esta trilogia é incrivelmente consistente, um elogio que muitas franquias não merecem hoje em dia. Este reboot foi um sucesso e no presente ano de 2024 saiu o 4º filme da franquia, mas aqui vou abordar a trilogia de filmes que saíram na década passada. Digo também que vi estes filmes em preparação para o 4º filme que saiu recentemente, sendo que já tinha visto o 1º há muito tempo, o 2º e o 3º tinha visto pequenos fragmentos mas sem nunca tomar grande atenção.


    Rise of the Planet of the Apes é um filme incrível e um começo muito forte para a franquia, deixando bases muito fortes para o que aí vinha nos próximos filmes. Caesar é uma das melhores personagens que eu já vi, incrivelmente cativante, muito graças à performance de Andy Serkis, um ator lendário, pioneiro no mundo do "Motion Capture" e com várias nomeações a Óscares por lhe dar, é um crime este senhor nunca ter sido nomeado pelo seu trabalho nesta trilogia e no Senhor dos Anéis. Neste filme obtemos uma personagem muito fácil de apoiar e a origem dos futuros conflitos neste universo, com a queda da humanidade e a ascensão dos macacos com uma resposta simples mas tão eficaz, um tratamento para o Alzheimer. Este tratamento é desenvolvido por Will Rodman (James Franco), com a motivação de curar a doença do seu pai. Will é essencialmente o pai de Caesar. O que este tratamento faz é anular por completo os efeitos do Alzheimer nos humanos, sendo testado primeiramente em macacos, dando-lhes  inteligência comparável à de humanos e Caesar, tendo obtido o tratamento através da sua mãe enquanto esta estava grávida, que foi diretamente exposta ao tratamento, revela ser incrivelmente inteligente, superior a muitos humanos. O problema do tratamento é que, eventualmente, deixa de ter efeitos benéficos nos humanos e torna-se ativamente prejudicial à saúde e altamente transmissível, o que vai levar a uma pandemia mundial e à morte da maioria da população mundial, efeitos que vão ser possíveis de observar no próximo filme.

    O Caesar vai parar a um cativeiro com vários macacos, isto após ter atacado um vizinho que estava a ameaçar o pai do Will que estava a ter um momento de pouca lucidez, tornando-se no líder deste grupo, expõe os macacos ao tratamento, dando-lhes alta inteligência e liderando-os para longe da civilização no fim do filme, ainda que com grande resistência dos humanos, que os tentam matar enquanto estes fogem para a floresta. Este é o primeiro filme. Quero só destacar o momento em que o Caesar fala pela primeira vez, é uma cena icónica e que dá verdadeiros arrepios, grande cena e grande performance e um grande filme. Filme este que foi o primeiro a usar motion capture nos locais de gravação ao ar livre, já que antes deste filme esta tecnologia era sempre utilizada dentro de estúdios, com este filme a ser marcante também pelo que fizeram com esta tecnologia. Consegue notar-se um pouco a idade nos dias que correm mas continua a ser impressionante a todos os dias.


    Dawn of the Planet of the Apes é o 2º filme da franquia e mantêm o nível deixado pelo primeiro. Os eventos deste filme passam-se 10 anos após o primeiro. A pandemia anteriormente descrita aconteceu e muitos poucos humanos restam no planeta, sendo que em São Francisco, cidade onde decorre a história nestes dois filmes, restam poucas centenas de pessoas, pelo menos segundo o que podemos ver no ecrã. Neste filme, tal como no primeiro, temos o ponto de vista do Caesar e da sua tribo ou comunidade, e o ponto de vista de um grupo de humanos, em particular de Malcolm (Jason Clark), que faz parte do grupo de sobreviventes que vivem em São Francisco. Os macacos querem apenas viver em paz, liderados por Caesar, enquanto que os humanos estão à procura de uma fonte de energia, em particular uma barragem para manter uma fonte de energia consistente à cidade e permitir que estes comuniquem com outros grupos de sobreviventes. O problema é que os macacos estão situados muito perto da barragem, e acho que daqui para a frente dá para perceber que vai correr mal.

    Carver (Kirk Acevedo), um membro do grupo do Malcolm, dispara sobre um macaco, o que cria uma separação imediata entre as duas espécies, sendo que o Caesar deixa-os ir embora mas, para mostrar a sua força, vai até à cidade para avisar os humanos para se manterem afastados do seu território, além de entregar uma mochila que o filho do Malcolm deixou cair quando estes foram mandados embora. O Malcolm, como protagonista empático e forte, volta a ir ter com os macacos para pedir que os humanos possam trabalhar na barragem, já que estes só precisariam de a meter a funcionar e não pretendiam guerra, pelo menos ele não pretendia guerra, o líder do grupo de sobreviventes, Dreyfus (Gary Oldman), estaria disposto a começar uma guerra, mas deu o beneficio da dúvida ao Malcolm e deixou-o ir nesta missão. Koba (Toby Kebbell), um macaco que foi libertado dos laboratórios da Gen-Sys, local onde o tratamento foi criado, quer vingança pelo sucedido com o grupo do Malcolm, mas sobretudo quer vingança contra os humanos, pelo que este teve de sofrer às mãos de cientistas ao longo da sua vida. Este ódio leva o Koba a desafiar e chegar mesmo a disparar sobre o Caesar com uma arma humana, de forma a justificar um ataque ao grupo de humanos na cidade e a eliminar o seu maior obstáculo na sua vingança, já que é presumido que o Caesar morreu, com este a cair de um local alto e a desaparecer. Obviamente que não morreu e é resgatado pelo Malcolm e a sua família.

    O fim do filme tem o ataque dos macacos aos humanos, com os macacos a vencerem e a prenderem a larga maioria dos que restavam após a batalha inicial. Enquanto isto acontecia, o Caesar recuperava na casa onde cresceu com a família do Malcolm. O filho do Caesar reencontra-se com ele, sim ele tem uma mulher e dois filhos, um recém-nascido e o mais velho, o Blue Eyes (Nick Thurston). O Blue Eyes descobre que foi o Koba a orquestrar esta mudança de regime e ajuda a libertar todos os humanos e os macacos leais ao Caesar, entre eles o Maurice (Karin Konoval), MVP desta franquia, e o Rocket (Terry Notary), os seus dois braços direitos, pois os macacos leais ao Caesar foram presos. Durante o ataque, o Koba mata o Ash, um dos macacos, quebrando uma das leis do Caesar e algo relevante para mais tarde. O confronto final vê o Caesar a lutar com o Koba enquanto que o Malcolm tenta impedir o Dreyfus de rebentar a torre onde os macacos estão localizados. O Dreyfus, com uma arma apontada, escolhe rebentar os explosivos já colocados quando não precisava de fazer tal coisa, sacrificando-se para absolutamente nada e matando os dois homens que estavam consigo e quase levando à morte do próprio Malcolm, que escapa por pouco. O Caesar, ainda a recuperar da lesão provocada pela bala, não está na sua máxima força, o que o leva a ter de ser estratégico para vencer. Foi também nesta corrente de eventos que tivemos direito a uma das melhores cenas desta trilogia, com o Koba a dizer: "Caesar weak"; e o Caesar a responder: "Koba weaker". Muito bom. A luta acaba com o Koba prestes a cair de um precipício e parece que o Caesar o vai ajudar, sendo que o Koba diz uma das frases de marca do Caesar: "Ape not kill ape"; seguido da resposta do Caesar: "You are not ape", deixando-o cair para a sua morte. Que momento, que filme!

    O filme acaba com o Malcolm e o Caesar a reencontrarem-se, com o Caesar a chamá-lo de bom homem e amigo, resignado também a uma guerra inevitável causada por um um macaco. Guerra esta que vai acontecer pois o grupo do Malcolm conseguiu entrar em contacto com um grupo militar que vai entrar a pés juntos e tentar matar todos os macacos após os eventos decorridos neste filme. Estão lançadas as cartas para o último filme da trilogia.


    War for the Planet of the Apes é o 3º filme e a conclusão da história do Caesar, passando-se dois anos após o filme anterior. O Coronel (Woody Harrelson), é o grande vilão da história, sendo o líder do grupo militar mencionado no final do filme anterior e este começa o filme a matar a mulher e o filho mais velho do Caesar, pensando que tinha morto o líder dos macacos. Começo bruto, com a missão do Caesar a ser vingar-se do Coronel. O Blue Eyes tinha andado a procurar um novo local para os macacos viverem livres da guerra com os humanos e encontrou, de facto, um lugar antes de morrer. Após este ataque ao Caesar, o resto do grupo tinha a missão de ir ter a esse lugar enquanto que este ia tentar matar o Coronel. O Maurice, o Rocket e o Luca decidiram ir com o Caesar para o ajudar, ajuda que ele aceita de forma relutante.

    Sendo um pouco mais breve na descrição deste filme, o Caesar e os seus companheiros encontram uma menina que não consegue falar e levam-na com eles na sua viagem, chamando-lhe Nova. Mais tarde descobrem corpos humanos que faziam parte do grupo do Coronel deixados para trás, um deles ainda vivo e que também não conseguia falar. Este pequeno grupo depara-se com um macaco que se chama Bad Ape (Steve Zahn), sendo que este macaco não fazia parte do grupo deles mas conseguia falar, mais até do que a maioria dos macacos no grupo do Caesar. Este macaco era de um zoo e aprendeu a falar ao ouvir humanos, o que dá a indicação de que todos os macacos estão a desenvolver um nível de alto intelecto, não apenas aqueles expostos diretamente ao tratamento há vários anos atrás. O Bad Ape acaba por concordar em levá-los ao acampamento do Coronel, algo que ele tinha revelado saber mas mostrou-se cético em ajudar ao início por ser perigoso. Pouco tempo após chegarem perto do acampamento o Luca, gorila do grupo, acaba por morrer após um confronto com uma dupla de guardas, o que leva o Caesar a mandá-los ir embora e a continuar a missão sozinho, o que corre muito bem. Só que não, este acaba capturado após descobrir que o seu grupo de macacos foi capturado, entre eles o seu filho mais novo. É preciso notar que o grupo do Coronel utiliza macacos no seu grupo, macacos que eram originalmente do grupo do Caesar mas que se tornaram leais ao Koba e fugiram após a sua morte.

    Os macacos capturados fazem trabalho de escravos, já que o grupo do Coronel está numa guerra com um grupo de humanos no qual o grupo dele estava inserido, numa espécie de guerra civil. Porque é que estão em guerra? Descobrimos, em conjunto com o Caesar, que os humanos estão agora a sofrer com novos sintomas relacionados com a pandemia anterior que tinha morto a larga maioria da população mundial. Acreditava-se que os humanos que restavam eram imunes, mas uma nova mutação fez com que estes perdessem muita da sua inteligência, sobretudo relacionado com a fala, com os humanos que ficam infetados com esta nova vaga a perderem a capacidade de falar. O Coronel está disposto a matar todos os que ficam infetados com isto, incluindo o seu próprio filho, o outro grupo quer encontrar uma cura, daí surge este conflito, ele é visto como demasiado radical.

    Maurice, Rocket, Bad Ape e a Nova são a missão de resgate e até ao final do filme é esse o objetivo de grupo. O Caesar e os restantes macacos são forçados a trabalhar e o Caesar é alvo de tortura às mãos do Coronel, ainda que este sinta um certo nível de respeito pelo macaco. A Nova, a certa altura, entra no acampamento e dá água e comida ao Caesar, além de lhe deixar um brinquedo de peluche, mostrando o melhor lado da humanidade, após este ter sido levado com um balde de água fria e pregado durante todo o dia, tendo de destacar que parece que estavam no Inverno nesta altura. O brinquedo de peluche na jaula do Caesar é relevante para mais tarde. Para a Nova não ser apanhada, o Rocket cria uma distração e acaba preso com o resto dos macacos para que ela possa sair ilesa. O que resta do grupo descobre uns túneis por baixo das jaulas onde estão presos os macacos, sendo o plano escapar por esses mesmos túneis.

    O plano entra em ação, com o único problema a ser que os macacos pequenos estão noutra jaula, o que significa que têm de escapar pela superfície até à jaula dos restantes, o que é resolvido sem grandes problemas. Os macacos começam todos a escapar mas o Caesar decide, novamente, seguir pelo caminho de vingança e ficar para trás para matar o Coronel, sendo que no entretanto a batalha entre os dois grupos de humanos começam, o que torna tudo mais complicado. O Caesar vai ter ao quarto do Coronel e depara-se com este debilitado, tendo sido infetado pelo boneco da Nova, com este a não conseguir falar. Caesar pega numa arma e aponta-lhe à cabeça, com o Coronel a mostrar sinais que quer que ele dispare, algo que Caesar acaba por não fazer, deixando a arma ao Coronel e a ir-se embora, ouvindo o tiro após sair dos seus aposentos. Percebeu o erro do caminho que estava a percorrer e como poderia acabar se continuasse assim, essa é a minha leitura e penso que o objetivo da cena. Importante mencionar que o Caesar é "assombrado" pelo Koba durante todo o filme, como se estivesse a seguir o mesmo caminho do seu companheiro tornado adversário. Bela performance do Woody Harrelson já agora.

    Os macacos acabam por escapar, o Caesar é ferido durante a sua fuga, que é já com a batalha a decorrer. O grupo do Coronel acaba derrotado, graças a uma granada bem colocada do Caesar, mas esta explosão cria uma avalanche que engole o outro exército, com os macacos a sobreviverem ao escalarem as árvores perto da base. O filme acaba com o grupo a chegar ao oasis, à terra prometida, com o Caesar a ter uma última conversa com o Maurice e a falecer pouco depois. Liderou o seu povo à salvação enquanto que os humanos se destruíram a si mesmos. Poético.


    Que mais posso dizer sobre estes filmes? Os efeitos foram ficando melhores filme após filme, sendo que no terceiro filme estão mesmo a um nível incrível, a performance do Andy Serkis foi excelente em todos os filmes, uma personagem principal incrivelmente forte capaz de carregar toda a trilogia às suas costas, vilões memoráveis como o Koba e o Coronel. E depois existe ainda o Maurice, absolutamente MVP destes filmes e nem quero saber de mais nada. Isso e o Andy Serkis merecia, pelo menos, uma nomeação para Óscar, e nunca terem ganho o Óscar para melhores efeitos visuais apesar de terem sido nomeados três vezes é também incrível. Pelo menos ganharam muitos outros prémios e todos merecidos.

    Dado curioso, Matt Reeves, que realizou o Dawn e War, quando entrou neste projeto já tinha sido escrito o guião para o segundo filme, que iria decorrer mais no futuro com os macacos a falarem a um nível quase perfeito e com o Caesar a ter um papel muito menos importante na história. Reeves pediu para reescrever o guião de forma a explorar melhor a história do Caesar, desde que o filme estreasse na data que estava prevista, e acho que podemos agradecer-lhe pelo seu esforço em querer contar esta história. Agora é falar do 4º filme na próxima review.


Rise of the Planet of the Apes - 8⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐

Dawn of the Planet of the Apes - 8⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐

War for the Planet of the Apes - 8⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐


- Miguel Caetano Caeiro

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