Grande Prémio do Brasil 2024
Max Verstappen acabou de obter uma das mais impressionantes vitórias da sua carreira, partindo do 17º LUGAR e vencendo por uma margem de 19 SEGUNDOS! E quem é que ficou atrás dele? ESTEBAN OCON E PIERRE GASLY! Os dois Alpines acabaram no pódio e levaram a equipa do 9º para o 6º lugar do Campeonato de Construtores! Que corrida e que fim de semana extraordinários! Interlagos nunca desilude, sobretudo quando chove.
Começemos pelo Sprint, que viu uma dobradinha McLaren em que Piastri cedeu a posição após ter obtido pole na qualificação, ou seja, deu a vitória ao Norris, pois teria vencido. Verstappen acabou em 3º, mas devido a uma penalização durante um Safety Car Virtual, caiu para 4º, com Leclerc a completar então o pódio. Sainz ficou em 5º, Russell em 6º, Gasly em 7º e Sérgio Perez em 8º. Estes foram os lugares pontuáveis.
Magnussen não participou neste fim de semana, com Oliver Bearman a substitui-lo pela segunda vez esta época, com o inglês a ter corrido no Sprint e na corrida principal, além das qualificações, obviamente. Magnussen parece ter estado indisposto, doente, não havendo mais detalhes além disto.
A qualificação não ocorreu no Sábado devido a chuva forte, o que forçou a direção de corrida a agendar a qualificação para a manhã de Domingo. Esta qualificação foi absolutamente caótica, contando com chuva ao longo de todas as sessões, com 5 bandeiras vermelhas e controvérsia à mistura. Na Q1 vimos Franco Colapinto a bater e ficar de fora da qualificação, bandeira nº 1, com o Lewis Hamilton a ficar eliminado e Lando Norris a escapar-se por pouco desta sessão. Na Q2 Carlos Sainz e Lance Stroll bateram e ficaram de fora, bandeiras nº 2 e nº 3, com o incidente do canadiano a acontecer no último minuto da sessão e a causar alguma controvérsia.
A direção de corrida colocou inicialmente bandeiras amarelas no primeiro setor, mas demorou mais de meio minuto a colocar a bandeira vermelha, o que permitiu vários pilotos terminarem as suas voltas. Aliás, quase todos os pilotos terminaram as suas voltas, mas Max Verstappen não foi um desses. A bandeira vermelha foi mostrada quando Verstappen estava prestes a entrar no último setor, com mais de metade da volta já completa. Com isto, os dois Red Bulls ficaram eliminados na Q2, e com a penalização do neerlandês de 5 lugares, este iria começar do 17º lugar. Norris tinha tudo para encurtar ainda mais a distância no Campeonato de Pilotos se conseguisse pole e arrancasse bem na corrida.
Norris conseguiu mesmo a pole na Q3, numa sessão em que Alonso e Albon ficaram de fora e trouxeram as bandeiras nº 4 e nº 5. O Williams acabou mesmo fora da corrida devido a este incidente, com os engenheiros a não conseguirem reconstruir o seu carro a tempo. Com a qualificação terminada, Norris tinha pole, seguido de George Russell no Mercedes e depois três resultados surpreendentes. Yuki Tsunoda e Liam Lawson qualificaram-se em 3º e 5º, respetivamente, com ambos os carros da Racing Bulls a baterem os Red Bulls, algo que não acontecia há muitos, muitos anos. Um resultado incrível para a equipa e para os pilotos, ambos com a mira focada no lugar do desapontante Perez. No 4º lugar ficou Estaban Ocon, em mais um excelente resultado da Alpine até este ponto no fim de semana. Falemos então agora da corrida.
Lance Stroll despistou-se durante a volta de formação e enquanto estava a tentar voltar para a pista acabou na gravilha e fora da corrida ainda antes desta começar. Situação no mínimo humilhante para o canadiano. De 19 para 18 pilotos e ainda não tinha sequer começado a corrida. Com isto, o início de corrida foi abortado mas, aparentemente, os pilotos não eram suposto sair das suas posições na grelha, algo que Lando Norris fez, e vários pilotos seguiram-no e deram outra volta à pista. Max Verstappen foi um dos poucos pilotos que ficou mais para trás pois entendeu que não era suposto sair da sua posição, algo que deixou claro no rádio para a sua equipa. Apesar disto, Verstappen e os restantes acabaram por fazer mais uma volta. O que ele disse no rádio claramente estava correto, pois vários pilotos estão agora em risco de serem penalizados pela situação. Até ao momento em que escrevo este texto nenhuma decisão foi tomada, se algo acontecer vai haver uma atualização. Existe também a possibilidade dos Mercedes serem penalizados devido a mudarem a pressão dos pneus fora de Parc Fermé, mas tal como a situação anterior, não se sabe ainda se serão ou não penalizados.
O arranque foi mais do mesmo, Norris perdeu a liderança para o Russell e Verstappen saltou para o 11º lugar na primeira volta, que grande arranque do atual Campeão do Mundo. Verstappen foi ganhando posições até ao 6º lugar, mas apanhou um grupo de carros que continha Leclerc, Ocon e Tsunoda, um comboio difícil de ultrapassar. Na frente, Russell e Norris estiveram sempre perto um do outro mas sem nada acontecer em pista. Importante relembrar que choveu durante toda a corrida com diferentes níveis de intensidade, sem nunca se usar pneus secos.
Aconteceram muitas coisas na corrida, mas sendo o mais breve possível, o Nico Hulkenberg acabou desqualificado pois despistou-se e recebeu ajuda para voltar à pista, sendo o primeiro piloto deste 2007 a ver uma bandeira preta, com Felipe Massa e Giancarlo Fisichella a verem esta bandeira no Grande Prémio do Canadá. Durante um período de Safety Car pouco depois da situação do alemão, que acredito ter acontecido devido às condições em pista, Franco Colapinto despistou-se na reta da meta e a bandeira vermelha foi mostrada na corrida, sendo que por esta altura Estaban Ocon estava a liderar a corrida à frente de Verstappen e de Gasly, com Russell e Norris a terem parado poucas voltas antes. Esta bandeira vermelha permitiu aos dois Alpines e a Max Verstappen uma mudança de pneus grátis. Curiosamente, a Alpine não fez uma única pit stop durante toda a corrida e terminou com os dois carros no pódio, um registo notável. No recomeço da corrida, agora com menos dois pilotos em pista, Ocon geriu bem e saiu na frente do pelotão, sem existirem grandes mudanças atrás. Por esta altura, os dois Racing Bulls estavam mais atrás, ambos nos pontos mas com Lawson a ter um erro a certa altura e a cair para fora do top 10, além de um incidente com Piastri, mas já não tenho a certeza de quando tudo isto aconteceu, já que foi um dia em cheio com uma longa qualificação e corrida.
Carlos Sainz acabou por se despistar e ficar fora da corrida, o que trouxe de volta à pista o Safety Car. Sainz nunca esteve no top 10 e teve uma corrida bem discreta, depois de um grande desempenho no México. No novo arranque após o Safety Car, Verstappen conseguiu passar Ocon na primeira curva e nunca mais olhou para trás, mas se tivesse olhado, teria visto Lando Norris a usar a escapatória na primeira curva e a cair para o 7º lugar, atrás de Piastri, o seu companheiro de equipa, que pouco depois o deixou passar para o 6º lugar, onde terminou a corrida. Venceu o Sprint, também oferecido pelo companheiro de equipa, obteve pole com o seu rival direto a partir de 17º, e mesmo assim conseguiu sair deste fim de semana mais distante de Verstappen. Uma implosão de proporções épicas para a McLaren e Norris, uma conquista incontestável para Verstappen e a Red Bull. Importante lembrar que o que Verstappen fez em São Paulo é histórico, é apenas a 5º vez em mais de 1100 corridas de F1 se viu um piloto a partir de 17º, ou mais atrás, a vencer uma corrida. Não só impressionante em pista, como também estatisticamente, uma vitória épica de um talento geracional.
Os dois Alpines aguentaram no pódio e conseguiram 33 pontos numa só corrida, mais do dobro dos pontos que tinham feito em todo o Campeonato até aqui, extraordinário. E nem foi uma questão de sorte, eles tinham genuinamente ritmo de corrida, o Ocon chegou a liderar bem à frente de Verstappen! Russell segurou um brilhante 4º lugar, extraindo tudo o que conseguia daquele terrível Mercedes, que viu Lewis Hamilton a ficar na Q1 e conseguir apenas um 10º lugar. 5º para Leclerc, outro piloto que fez tudo o que pode numa corrida onde o caos reinou supremo. Racing Bulls conseguiram ficar nos pontos, com Tsunoda em 7º e Lawson em 9º. Ambos tiveram corridas incríveis, mas Tsunoda merece o destaque, quer pela posição em pista, quer pela temporada que tem feito, quer pelo que tem feito desde que Gasly deixou a equipa, batendo todos os seus companheiros de equipa desde então. Não pontuava há algum tempo e precisava de um resultado destes.
Piastri terminou no 8º lugar, 7º em pista mas recebeu uma penalizaçao por um incidente com Lawson, perdendo então a posição para o Tsunoda. Perez terminou fora dos pontos, no 11º lugar, e mais humilhante ainda, voltou a perder uma luta em pista com o Lawson, e após perder essa luta, caiu para trás de Hamilton, mais um desastre para o mexicano. Parece inevitável que perca o seu lugar para 2025. Bearman ficou em 12º após vários despistes, mas pelo menos terminou a corrida. Bottas ficou em 13º e mantém-se no último lugar do Campeonato. Alonso ficou em 14º, sendo que esteve nos pontos durante a maioria da corrida, mas foi em frente em Junção e deu um pião na relva, ficando a 20 segundos de Zhou. O impressionante foi como recuperou essa desvantagem e ficou em frente do chinês, o que demonstra a velocidade do espanhol e, sobretudo, o quão mau é este carro da Sauber de 2024. Zhou ficou no último lugar em pista, o 15º.
Esta foi uma das corridas mais memoráveis da história recente da F1 e um fim de semana que vai ficar na memória de Verstappen, sobretudo caso este consiga vencer o título, algo que parece agora inevitável. Esta foi uma das suas grandes corridas, ao lado daquela corrida em 2016, nesta mesma pista e também com chuva, a corrida que fez de mim um fã do piloto neerlandês desde então. Esta corrida esclareceu a clara distância de talento entre Verstappen e Norris neste momento. Norris tem imenso talento, mas ainda não está pronto para ser Campeão Mundial, talvez para o próximo ano. Por enquanto, Max Verstappen, mesmo sem ter o melhor carro durante metade da época, nunca desistiu e parece agora certo que vá vencer o título pelo 4º ano consecutivo, igualando Sebastian Vettel na mesma equipa em que o alemão conseguiu esse feito. Há já poucos os adjetivos para descrever Verstappen e a sua carreira.
O ponto da volta mais rápida pertence a Verstappen, que nas últimas 20 voltas da corrida parecia que estava sempre a fazer a volta mais rápida a cada volta que completava. A meu ver, Verstappen é também o piloto do dia, parecendo-me isto algo pouco contestável. Destaque também para Ocon e Gasly, os dois Alpines foram incríveis e obtiveram um duplo pódio precioso no que é, agora, uma luta pelo 6º lugar no Campeonato de Construtores, algo inimaginável antes de chegarmos ao Brasil. Tsunoda, no carro da Racing Bulls, é o destaque final desta corrida.
Resultados:
1º - Max Verstappen 26 pontos + 5 pts (4º Sprint) = 31 pontos (VMR)
2º - Esteban Ocon 18 pontos
3º - Pierre Gasly 15 pontos + 2 pts (7º Sprint) = 17 pontos
4º - George Russell 12 pontos + 3 pts (6º Sprint) = 15 pontos
5º - Charles Leclerc 10 pontos + 6 pts (3º Sprint) = 16 pontos
6º - Lando Norris 8 pontos + 8 pts (1º Sprint) = 16 pontos
7º - Yuki Tsunoda 6 pontos
8º - Oscar Piastri 4 pontos + 7 pts (2º Sprint) = 11 pontos
9º - Liam Lawson 2 pontos
10º - Lewis Hamilton 1 ponto
11º - Sergio Pérez (8º Sprint) = 1 ponto
12º - Oliver Bearman
13º - Valtteri Bottas
14º - Fernando Alonso
15º - Guanyu Zhou
16º - Carlos Sainz (DNF) (5º Sprint) = 4 pontos
17º - Franco Colapinto (DNF)
18º - Nico Hulkenberg (DSQ)
19º - Lance Stroll (DNS)
20º - Alexander Albon (DNS)
Alpine - 35 pontos
Red Bull - 32 pontos
McLaren - 27 pontos
Ferrari - 20 pontos
Mercedes - 16 pontos
Racing Bulls - 8 pontos
Tabelas dos Campeonatos de Pilotos e de Construtores
Tabela de Pontuação dos Pilotos
- Miguel Caetano Caeiro

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