Filmes que vi no Cinema em 2024 (Mas não falei)
Vou falar sobre os seguintes filmes (que vi no cinema em 2024):
- Ferrari
- Red One
Ferrari
Este filme, tal como o próximo que vou falar, foram vistos em Janeiro, ainda antes de criar este blog. Na altura queria falar sobre eles, mas não encontrei a motivação para o fazer, até porque não são filmes exatamente excepcionais nem nada perto disso. Dito isto, é um filme OK. Conta com Adam Driver a interpretar o papel de Enzo Ferrari e com Penélope Cruz no papel de Laura Ferrari, a mulher de Enzo. Foi realizado por Michael Mann, conhecido por realizar filmes como "The Last of the Mohicans", "Heat" e "Collateral". Produziu, recentemente, outro filme ligado ao automobilismo, "Ford v Ferrari", de 2019.
Ao contrário do Ford v Ferrari, este filme não é tão grandioso e espetacular, sendo mais um estudo de personagem, como já vi ser mencionado. Este filme, de várias maneiras, faz-me lembrar o filme "Napoleão". Ambos os filmes lidam com personagens históricas que, em vez de se focarem em pontos relacionados com as suas profissões ou, melhor dito, aquilo que os tornou em figuras históricas com direito a filmes feitos sobre eles, focam-se, em vez, nas suas relações pessoais, com destaque para as relações com as suas mulheres. Curiosamente, saíram ambos perto do fim do ano de 2023, mas o Ferrari só saiu em 2024 em Beja, por isso é que o vi em 2024 e entra para esta lista.
Este filme é muito menos culpado da situação que descrevi do que o Napoleão, mas entra dentro do mesmo esquema. Não é necessariamente mau, nem estou a dizer que não deviam ter abordado os tópicos que abordaram, até porque neste filme é importante falar sobre a Laura, que tem um papel importante no futuro e sobrevivência do que é a marca Ferrari. Ainda sobre este filme, eu nem sabia que estava em desenvolvimento, por isso o maior problema de Ferrari nem é tanto o drama familiar, como é o fraquíssimo marketing do filme.
Performances sólidas por parte dos atores, gostei do Adam Driver como Enzo, um papel que, em tempos, foi de Christian Bale e, também, de Hugh Jackman. Como o vi no início do ano, já não tenho grande memória de tudo o que se passa no filme, o que também diz muito sobre o filme em si. Ao ler a história do filme na Wikipédia, voltam algumas memórias e até parece interessante, mas após se ver o filme, muito pouco fica na memória. Pode ser cativante para quem gosta de automobilismo, desde que não se importem com o drama familiar que o rodeia.
Mean Girls (2024)
Filme inspirado no musical da Broadway, que foi inspirado pelo filme de 2004 com Lindsay Lohan. A grande força por trás do musical e deste novo filme foi Tina Fey, que tinha escrito também o filme original. Tudo que seja Mean Girls, tem sempre Tina Fey, que também atuou nos dois filmes.
Enquanto que o original é um verdadeiro clássico da sua geração, este filme vai, sem dúvida, cair no esquecimento. Não é um mau filme, mas também não posso dizer que é um bom filme. Não é um mau musical, mas também não é bom. É tudo assim-assim. Gostei de algumas músicas, mas tirando as músicas onde está presente a Regina George, interpretada por Reneé Rapp, atriz e cantora que ganhou fama no musical do mesmo nome, não me consigo bem lembrar das restantes. Gosto da atriz principal, a Angourie Rice, mas quando a outra atriz é literalmente uma cantora profissional com experiência no projeto, a pressão fica inevitavelmente na atriz principal. Canta bem, mas a Reneé Rapp canta melhor.
Todo o marketing pareceu focar-se mais na Regina George do que na Cady, que tive de ir procurar agora o nome porque já nem me lembrava. Não há nada de errado num vilão ser mais popular do que a suposta protagonista, mas não sei até que ponto isso não magoa a narrativa, como eu sinto que foi o caso neste filme. A Regina George tem uma aura neste filme, que a personagem principal não chega nem perto, algo que não sei mesmo se beneficiou ou prejudicou o filme. Pela recepção do mesmo, diria que magoou. De resto, a Reneé Rapp foi mesmo a performance destacada do filme, quer a atuar quer a cantar. Sobretudo a cantar. É uma atriz para manter debaixo de olho.
O maior motivo pelo qual gostei de ver o filme foi devido ao facto de alguns amigos com quem fui ver não fazerem a mínima ideia de que este era um musical, ou terem descoberto no próprio dia, algo que me deu algum prazer, tenho de admitir. Cada vez que começavam a cantar ouviam-se suspiros. É uma experiência que recomendo vivamente.
Joker: Folie à Deux
Bem, eu nem queria falar sobre este filme, tanto que nem fiz um post destacado para o mesmo, tendo em conta o mediatismo que teve. Este filme não é necessariamente mau, até diria que tem vários pontos positivos, mas enquanto sequela, tem de ser uma das piores que vi no grande ecrã. Com Todd Phillips a voltar para realizar este segundo filme, juntamente com Joaquin Phoenix no papel principal, todos os fãs estavam com esperança de esta ser uma excelente sequela. Quando Lady Gaga se juntou ao projeto e foi revelado que este seria um musical, algumas sobrancelhas levantaram. Admito que não sabia que o filme ia ser um musical, apesar de saber que a Lady Gaga estaria presente como Harley Quinn. Se bem me lembro, descobri no próprio dia em que o fui ver, talvez seja karma pela situação que mencionei no filme anterior.
Dito isto, eu gostei das músicas. Sei que existem muitas críticas relativamente à parte musical do filme, na maneira em que foram realizadas e dirigidas, mas eu gostei. Agora, o propósito destas músicas, e o porque de este filme ser um musical, honestamente o júri ainda está à procura de um motivo para esta decisão. No fundo, os problemas deste filme vão muito além de se gostar ou não do elemento musical presente. É na narrativa que se encontram todos os problemas fundamentais deste filme.
Para começar, é uma sequela desnecessária na sua fundação, e com este filme a ser feito da maneira que foi, ainda mais forte se torna essa ideia. Parece que quem o fez não o queria fazer e decidiu queimar a casa antes de fechar a porta à chave. Um filme que procura identidade, enquanto tem múltiplas, enquanto que não se consegue decidir sobre a qual se vai focar. Um musical que não é bem um musical, um filme de sala de tribunal que não é bem um filme sala de tribunal, complicado. Acaba por não ser nenhum, pois quem gosta de um dos estilos vai tentar empurrar para o outro, e vice-versa.
A história é confusa, no sentido em que não há muita história neste filme, mas o final é confuso. Esta sequela vive na sombra do original e quer-se distanciar das decisões e eventos anteriores e, ao mesmo tempo, não cria uma nova identidade para si e não consegue passar muito tempo sem falar do primeiro filme. É frustrante, porque qualquer evolução que o Arthur teve durante o filme anterior desapareceu pela altura do segundo filme, com a personagem a voltar atrás nas suas ações e a arrepender-se, o que nunca iria satisfazer a audiência.
Existe também todo este romance com a Harley, mas que acaba por desaparecer, pois ela gostava do Joker e não do Arthur. No fim do filme, o Arthur é morto em Arkham, onde o filme começou e passou a maioria do tempo, sendo morto pelo "verdadeiro" Joker. Sim, estão a ler bem. Eu demorei tempo a processar o que aconteceu, e nem liguei os pontos que este homem que o matou é que se vai tornar no Joker, a personagem que todos conhecemos. Neste universo, o Arthur é a história de inspiração para o verdadeiro Joker. A cena final cria um paralelo com o final do primeiro filme, onde o Arthur mata o apresentador, alguém que ele respeitava e que ele sentia ter sido traído pelo mesmo.
Joker: Folie à Deux é excelente a criar grandes momentos, mas isolados. Momentos que, sem contexto, criam impacto e até são cativantes, mas quando ligados uns aos outros, quando têm contexto, simplesmente não funcionam, sobretudo para alguém que quer gostar do que está a ver. Este será o legado do filme, algo desapontante. Um projeto que foi feito para dar uma bofetada nos fãs do primeiro filme. Não percebo porquê.
Vou ser honesto, quando saí do cinema estava disposto a dar uma nota relativamente alta ao filme, mas dia após dia a pontuação foi baixando, pois quanto mais pensava sobre o filme, mais frustrado ficava. Faz-me lembrar do Star Wars: The Last Jedi em alguns aspetos. Todo aquele estilo, mas sem qualquer substância, uma história verdadeiramente desapontante e uma traição aos fãs.
We Live in Time
O melhor filme desta lista, e por uma boa margem. Contudo, é também aquele sobre o qual tenho menos para falar. Um romance com Andrew Garfield e Florence Pugh a interpretarem as personagens principais, com estes atores a terem excelente química. Fui ver o filme sem saber praticamente nada acerca do mesmo, e saí surpreendido pela positiva. Muito bem atuado, realizado e com um bom guião. Foi realizado por John Crowley e escrito por Nick Payne.
Recomendo este filme a quem gostar de romances e não se importar de ficar deprimido após ver um filme. Basicamente é isto, eu bem disse que não tinha muito para dizer, é apenas um filme bastante sólido e muito bem atuado pelos atores principais. Diria que Garfield e Pugh carregaram e elevaram este filme para lá do esperado.
Red One
Para fechar, um filme de Natal, perfeição. Mais um filme que me surpreendeu pela positiva, já que esperava um filme cheio de clichés e previsível. É essas duas coisas, mas tem um charme que eu não esperava. Talvez se deva ao Chris Evans que, tirando o Capitão América, tem a tendência em fazer filmes onde a sua personagem é, digamos, um otário que, pode ou não, fazer a transformação para um ser humano decente e com empatia. Ele é bom neste tipo de papéis, quer com ou sem a transformação do otário. Mas que tem charme tem, tanto o ator como o filme.
O filme foi realizado por Jake Kasdan, que realizou os filmes recentes do Jumanji. Chris Evans e o The Rock são a dupla do filme e têm boa química, nada do outro mundo, mas têm. O J.K. Simmons é o Pai Natal neste filme, e dá para ver que vai ao ginásio, até tem uma cena com o The Rock em que está a levantar peso. Aparecem algumas personagens relacionadas com a mitologia natalícia, com destaque para o Krampus, uma espécie de demónio que é suposto punir as crianças que se portaram mal. Esta parte do lore da personagem é relevante para a narrativa do filme, mas este não é o antagonista. Gryla é a antagonista, uma suposta entidade monstruosa que tem origem na Islândia na nossa realidade. Serve o seu papel, mas não é nada de especial como vilã da história.
Basicamente é isto, não vou estar aqui a recontar a história pois é um filme de Natal, por isso não foge muito ao que tantos outros filmes de Natal fizeram antes. Retrata toda a operação do Pai Natal como se estivéssemos a ver um filme de espiões, essa é a grande atração do filme. Surpreendeu-me pela positiva, mas não é nenhuma obra prima, é um filme bom para ver na altura para o qual foi feito e basta.
Chego assim ao fim do texto, tendo falado de cinco filmes diferentes aqui. Enquanto que os primeiros dois apenas não foram falados devido a eu ainda não ter criado o blog na altura em que os vi, estes mais recentes têm a justificação de eu ter ficado sem motivação para escrever sobre filmes após ver o Borderlands. Foi tão mau que não tive motivação para escrever sobre filmes durante uns meses. Nunca duvidem do poder de um filme sobre a psique humana, sobretudo um filme muito bom, ou um filme MUITO mau. Vamos lá às avaliações finais.
Ferrari - 6⭐⭐⭐⭐⭐⭐
Mean Girls (2024) - 5⭐⭐⭐⭐⭐
Joker: Folie à Deux - 5⭐⭐⭐⭐⭐
We Live in Time - 7⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐
Red One - 6⭐⭐⭐⭐⭐⭐
- Miguel Caetano Caeiro

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