Pérez fora, Lawson dentro, Tsunoda ignorado


    Aconteceu o que era mais esperado, com Sergio Pérez a abandonar a Red Bull e a ficar sem lugar na F1. Liam Lawson foi a escolha da equipa. Para quem olha de fora, esta opção parece muito estranha e tenho de admitir que sou uma das pessoas que olha para esta decisão com desconfiança e procupação, quer pelo Lawson, quer pelo Tsunoda. Vamos por partes.

    O planeamento da Red Bull no final do ano de 2023 foi, com o benefício da informação e dos acontecimentos que decorreram desde então, um autentico desastre. Tudo o que podia correr mal correu, e a equipa parece estar a passar um mau bocado. Viram o potencial do Lawson e preferiram um Ricciardo em baixo de forma para a equipa B no final do ano passado. Nesta ano já é melhor que o Tsunoda e vai ser promovido à equipa principal. O que é que mudou neste último ano? Nada, fez mais seis corridas e foi batido pelo Tsunoda, tal como o Ricciardo, que também a batalha contra o japonês. Decisões muito estranhas e a basearem-se em fé e esperança mais do que resultados em pista. Quando o Lawson fez um bom trabalho, foi o Ricciardo o escolhido. Quando o Tsunoda bate todos os companheiros de equipa que lhe metem à frente, continua a ser a última escolha da Red Bull, incompreensível.

    Foco agora na situação do Pérez. Do ponto de vista da equipa, fiquei surpreendido por não o terem mandado embora a meio da época, quando ainda estavam a tempo de ganhar o campeonato. Aliás, renovaram-lhe o contrato para 2026, quem é que decidiu isto? Sem comentários, só tiros nos pés. Do lado do Pérez, foi um erro grande ter ficado na equipa e renovado. Se tivesse aceite o seu destino, saía no fim da época e procurava uma nova equipa durante e após o Verão. Assim sendo, fica sem lugar na grelha e com o seu stock em baixo. Vai ter de rezar que alguma equipa precise de um piloto com um bom suporte financeiro e que não se importe com a má forma que demonstrou durante época e meia. Não vai ser fácil e, se foi a sua última temporada, sai pela porta pequena e sem deixar grandes saudades, ele que foi um excelente piloto.

    Para o Lawson, isto é uma grande oportunidade, mas um risco tremendo também. Já todos vimos o que aconteceu ao Gasly e ao Albon, lançados para a equipa sem estarem prontos e com resultados desastrosos. Ambos conseguiram recuperar as suas carreiras, mas tiveram que sofrer para lá chegar, e estes dois tinha mais experiência na F1, ainda que no caso do Albon seja por pouco. Para o bem dele espero que corra bem, mas há mais contra do que a favor. E se correr muito mal, pode acabar aqui a sua carreira na F1 ou ficar na equipa B até conseguir arranjar outra equipa. Vamos ter de esperar para ver.

    No caso do Tsunoda, acho que foi ignorado e desrespeitado pela Red Bull. Espero que consiga arranjar uma equipa melhor para 2026, porque a Red Bull já mostrou como se sente em relação a ele. Tem quatro temporadas de experiência, tem vindo a melhorar ano após ano, e tem batido consistentemente os seus companheiros de equipa. Trabalhou muito durante estes anos, mas está agora visto que o vêm como viam o Gasly e o Sainz. Espero que mostre o seu valor como estes dois o fizeram.

    O Ricciardo recebeu falsas promessas e acabou queimado, mas isto é já normal dentro da Red Bull. O australiano devia ter terminado a época, mas antes disso, o Lawson devia ter feito esta época em vez dele. Não vou estar aqui a dizer que não fiquei feliz quando ele assinou para correr em 2024, mas do ponto de vista da Red Bull, não fez qualquer sentido colocar o Ricciardo na Racing Bulls para 2024, foi um tiro no pé gigante e pode custar-lhes caro na próxima época, caso o Liam Lawson não consiga lidar com a pressão. Isto é um passo gigante, correr por uma das equipas mais competitivas na grelha, e que venceu vários títulos nos últimos anos, com apenas 11 corridas de F1 no currículo. Sobretudo quando, à um ano atrás, não era "bom" o suficiente para correr na equipa B.

    Já agora, se alguém estiver a pensar no Antonelli na Mercedes como situação semelhante, relativamente à falta de experiência, apenas digo que no caso da Mercedes a situação foi resolvida durante a época. Priorizaram o jovem italiano, sendo clara que aquela era a escolha que queriam, mesmo que, possivelmente, não fosse a primeira. O Lawson foi escolhido após o fim da temporada, e só sabemos que não é a última opção porque o Tsunoda existe.

    Quem deverá ocupar o lugar na Racing Bulls é Isack Hadjar, piloto franco-argelino de 20 anos de idade. Ficou em 2º lugar na F2 em 2024, atrás do campeão Gabriel Bortoleto, jovem brasileiro que vai correr pela Sauber em 2025. Parece ser um jovem promissor e a escolha mais provável para fazer dupla com Tsunoda. Acredito que esta dupla possa dar cartas em 2025 e elevar a equipa, ainda que o final de 2024 da Racing Bulls tenha sido algo fraco.

    O piloto teoricamente perfeito para a Red Bull teria sido o Carlos Sainz, mas se os rumores da sua má relação com Verstappen quando estes eram companheiros de equipa na Toro Rosso entre 2015 e 2016 forem verdade, então acho que isso responde ao porquê da Red Bull não o ter contratado quando tiveram oportunidade.

    No fim de contas, mau planeamento baseado em fé e não resultados em pista, além de continuarem a cometer erros iguais aos de à cinco anos atrás, levam-me a crer que a Red Bull ainda vai ter de sofrer durante mais tempo, e se eventualmente perderem o Max Verstappen, não sei o que será feito desta equipa. Uma coisa é certa, o Tsunoda seria sempre a última escolha em qualquer situação. Mal posso esperar por ver o Lawson a ser despromovido a meio da temporada e a promoverem o Hadjar em vez do Tsunoda, seria a cereja no topo do bolo.


- Miguel Caetano Caeiro

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