TimeSplitters

 

Vou falar sobre os seguintes jogos:

- TimeSplitters

- TimeSplitters 2

- TimeSplitters: Future Perfect


    Para dar contexto, joguei recentemente aos 3 jogos na PS5, com os jogos a serem adaptados para funcionarem na geração atual. Foram lançados durante este ano de 2024, e estão disponíveis para quem tem a PS Premium. Estes jogos clássicos têm opções alternativas, onde é possível alterar controlos e gráficos, além de uma opção onde é possível recuar no tempo, podendo voltar atrás no jogo até vários minutos. Não alterei qualquer coisa em termos de gráficos e controlos nestas opções extra, mas utilizei a opção de recuar no tempo várias vezes, de modo a não ter de repetir várias missões pelo menus do jogo.

    O único jogo que tinha jogado antes foi o TimeSplitters 2, na PS2, tendo memórias positivas do jogo, sem qualquer experiência dos outros 2. Vamos lá falar desta mítica trilogia da era PS2.


TimeSplitters

    É fácil perceber porque é que este jogo conseguiu ter sequelas. Tem um controlo um pouco difícil no início, ao qual se junta o facto de não se poder alterar os controlos, em particular a direção invertida. A direção invertida, onde quando se puxa o analógico para baixo a direção vai para cima e o inverso, é algo com o qual eu não me tive de preocupar desde os tempos da PS2, o que faz sentido com este jogo, que foi lançado no mesmo ano desta mítica consola. É uma opção que nunca uso, pois sinto que não é tão intuitivo, mas vi-me forçado a adaptar à situação e tenho de dizer que... não é assim tão mau, o problema é quando se vai jogar a outro jogo e a direção está de novo "normal".

    Dentro do tema de controlos difíceis, este jogo tem um sistema de mira diferente do que temos nos dias de hoje. Sendo que não tenho muita experiência com shooters da década de 90, a ação de ter de carregar no L2 para que a mira apareça e controlá-la separadamente do movimento da personagem é algo que nunca tinha experienciado. O que quer isto dizer é que se o L2 não estiver premido, a direção é igual a qualquer outro jogo, mas com o L2 premido dá para controlar apenas a mira, acabando por existir aquela limitação de só se poder disparar dentro do espaço para onde a personagem está virada no momento, ainda que com a ajuda da típica mira assistida. É um sistema que acabou por desaparecer da indústria, mas que me surpreendeu pela positiva. Tem os seus problemas, sobretudo porque estamos a falar de mira numa consola, mas funcionou melhor do que esperava, pois assim que me comecei a habituar a este sistema o jogo ficou mais fácil. Óbvio não é?

    A dificuldade do jogo é outro ponto relevante, já que este é um jogo difícil. Aquela ideia de que os jogos antes eram difíceis porque éramos mais novos é uma ilusão. Joguei os três jogos em normal e mesmo assim todos foram bons desafios, com este a ser o mais difícil, na minha opinião. Talvez tenha sido, sobretudo, devido a não estar habituado aos controlos. As missões têm todas a mesma arquitetura, são todas iguais no seu design e todas têm o mesmo objetivo, correr até ao fim do mapa para ir buscar um item e trazê-lo ao ponto de partida. A única coisa que muda durante as missões é que à volta para o ponto de partida aparecem TimeSplitters, aliens que são mais fortes que os inimigos comuns na primeira parte das missões. Todas as missões são exatamente assim, e é um ponto algo negativo para o jogo. Muito repetitivo na campanha.

    É também repetitivo no facto de não existir qualquer contexto para as missões, este primeiro jogo não tem história nem personagens, apenas a informação de que as missões decorrem num espaço de 100 anos. O jogador é colocado no mapa, com armas, e o objetivo é correr o mais depressa até ao fim do mapa e voltar. Convém matar os inimigos, mas nem sempre é necessário. O modo "Challenge" é que acaba por dar uma maior variedade ao jogo, e é sem dúvida um modo de jogo bem mais interessante do que a campanha. Neste modo de jogo, existem objetivos relacionados com tempo e pontuação. É mais variado e é algo que carrega o jogo, juntamente com o modo "Arcade", essencialmente o modo multiplayer, onde se pode jogar com outros jogadores ou com bots. Contém também vários modos de jogo diferentes.

    Os modos de jogo adjacentes à campanha carregam este primeiro título, que tem uma jogabilidade inferior às suas sequelas, mas que claramente mostrou muito potencial que viria a ser concretizado nas mesmas. A motivação para concluir a campanha e os desafios está diretamente ligado a desbloquear personagens para jogar no multiplayer.

    Este jogo tem também a ferramenta de criação de mapas, algo incrível para aquela altura e que, ainda nos dias de hoje, não é acessível na larga maioria dos jogos. Tem um nível de personalização impressionante quer em fazer mapas, como em customizar os jogos multiplayer. É um jogo algo visionário nestes aspetos e o seu sucesso é compreensível e natural.

    Um bom jogo com conteúdo suficiente para entreter durante várias horas, o TimeSplitters é o começo de algo especial, com a Free Radical Design a ter sido fundada em 1999 e a lançar este jogo em apenas um ano.


TimeSplitters 2

    Este era o jogo com o qual eu estava mais familiarizado e tenho de dizer que... continua a ser um belo jogo. A maioria dos problemas que tinha com o primeiro jogo, que considero ser bom, foram resolvidos. As missões da campanha têm muito mais variedade, com pequenas introduções cinematográficas antes de cada uma, onde já não basta só correr do ponto A ao ponto B e depois regressar ao ponto A mas com inimigos mais difíceis. A dificuldade está mais equilibrada, ainda que continue a ser um bom desafio a jogar mesmo em normal.

    Tal como no primeiro jogo, as missões decorrem em anos diferentes, mas desta vez temos alguma história à mistura, com a personagem que controlamos, o Sargeant Cortez, a saltar para locais e anos diferentes, onde encarna diferentes pessoas e leva a cabo a sua missão de recuperar uns cristais importantes na guerra contra os TimeSplitters. Tirando isso, não há muito mais que se possa dizer sobre a história. É muito mais do que o que tínhamos no primeiro jogo, mas continua a não ter uma verdadeira narrativa. Ainda assim, é um passo na direção certa.

    A jogabilidade é melhor do que no primeiro, com as armas a terem um melhor controlo e a própria mira em geral estar mais refinada, ainda que no mesmo sistema de premir um botão para controlar apenas a mira. Os modos "Challenge" e "Arcade" estão de volta e ambos melhorados e expandidos, além de se poder continuar a fazer mapas. A dificuldade no modo Challenge está melhor, já que no primeiro jogo existiram alguns desafios por vezes frustrantes. Ainda acontece neste jogo, mas numa escala menor tendo ficado, tal como a campanha, mais equilibrado. No modo Arcade, que é o multiplayer do jogo, foi criada uma "Arcade League", que são essencialmente desafios mas com os modos multiplayer, como "Deathmatch" e "Capture the Bag", que é igual a "Capture the Flag". Ainda mais conteúdo por jogar, que providencia mais conteúdo para desbloquear, como personagens e "cheats", dicas como munição infinita e por aí em diante.

    Voltando à jogabilidade, este é um jogo mais lento que o seu antecessor, o que acaba por ser normal, já que este jogo pode ser jogado de diferentes maneiras. Existe a maneira anterior de correr pelo nível, mas aqui isso não é possível na maioria das missões, onde convém ser metódico e aprender o nível para extrair o máximo dos recursos ao alcance do jogador. O meu elemento favorito do jogo é o radar que o jogador tem, em que pode ver a presença e distância dos inimigos, funcionando apenas em proximidade curta, o que acredito ser um bom equilíbrio, já que é uma ferramenta poderosa para o jogador. Como gosto de jogos que envolvem "stealth", é normal gosta bastante deste jogo.

    As missões têm também objetivos transmitidos diretamente ao jogador, além de objetivos opcionais, que envolvem aquele tal conhecimento do nível e do mapa, que já tinha referido antes. Com tudo isto, a campanha tornou-se no prato principal do jogo, o que na altura em que este jogo saiu era algo importante para o seu sucesso. Hoje em dia a maioria dos jogos que saem, sobretudo FPS's, nem campanha têm ou têm mas são fraquinhas, que triste realidade.

    Em termos visuais, é um claro passo em frente relativamente ao jogo anterior e bem bom para a altura, corria o ano de 2002. Este jogo é uma versão mais completa do primeiro em todos os aspetos. Também já se pode customizar os controlos de forma mais detalhada, como determinar diferentes botões para diferentes ações. Menos frustrante e mais divertido, este é o lema desta sequela.


TimeSplitters: Future Perfect

    Como este jogo é uma evolução natural do segundo jogo, vou apenas dizer que melhoraram em todos os aspetos relevantes e vou falar apenas nos pontos em que há uma maior divergência que justifique a sua menção. A campanha tem uma história que se liga entre todas as missões e a mira entrou no século XXI, estas são as melhorias mais notáveis, juntamente uma a dificuldade a estar agora, na minha opinião, no nível perfeito. Todas as restantes coisas que já existiam desde os outros jogos continuam presentes e estão ainda mais otimizadas neste jogo, juntamente com todas as recompensas obtidas através de simplesmente completar e jogar ao jogo, personagens para o multiplayer e dicas para a campanha.

    A história da campanha segue, novamente, o Sargeant Cortez,  imediatamente após o fim do jogo anterior, onde escapou da nave dos TimeSplitters com os cristais. Ele regressa à base com os cristais, reúne-se com o General, e com a ajuda da Anya, a assistente do General, estes embarcam na aventura deste terceiro jogo, com o Cortez a estar novamente a saltar entre diferentes locais e anos, mas sem encarnar em diferentes pessoas e sempre em contacto com a Anya, o que permite um diálogo contínuo entre as duas personagens, revelando as suas personalidades. A cada duas missões somos acompanhados por uma personagem que interage com o Cortez, com algumas dessas personagens a terem aparecido em jogos anteriores, mas agora com personalidades mais destacadas. O objetivo é descobrir de onde vieram os TimeSplitters e encontrar uma maneira de impedir o começo da guerra.

    Algumas coisas que não mencionei sobre estes jogos é que têm comédia, e boa comédia, na minha opinião. Têm um charme muito característico da época em que saíram, década de 2000. Têm também música que fica no ouvido, quer em missões quer nos menus principais. A comédia e a música nestes jogos invocam um sentimento nostálgico palpável, mesmo que não se tenha jogado sequer a nenhum jogo anteriormente. Por algum motivo estes jogos são ainda tão bem vistos por muitas pessoas.

    A jogabilidade evoluiu, com a mira a passar a funcionar de forma igual a outros jogos da época. O jogador tem agora uma habilidade que permite pegar em objetos que estão longe com uma engenhoca à volta do braço. Isto permite obter objetos antes inacessíveis, além de usar itens como caixas e afins para atacar inimigos, ainda que não seja tão eficaz quanto uma arma.

    A dificuldade, quer na campanha quer em todos os outros modos de jogo e os seus respetivos desafios, chegou aqui a um ponto perto de roçar a perfeição, não tenho qualquer queixa de algo ser demasiado difícil ou mesmo injusto. Encontraram a dificuldade perfeita.


    Esta trilogia é especial, e é pena que nunca tenha saído o quarto jogo, mas a realidade é que este estúdio passou por várias dificuldades após estes jogos e nunca mais alcançaram este nível. Trabalharam no TimeSplitters 4 e noutro jogo na mesma franquia mas acabaram os dois cancelados, o Star Wars Battlefront III, o mítico jogo que estava 99% completo, também acabou cancelado. Lançaram alguns jogos, incluindo as sequelas do Crysis, o 2 e o 3, mas nunca conseguiram voltar ao nível do TimeSplitters.

    Mudaram de nome, que foi quando lançaram as sequelas do Crysis, fecharam portas, voltaram ao ativo e depois voltaram a fechar portas, desta última vez já no ano de 2023. Fica na memória esta incrível trilogia de jogos.


TimeSplitters - 6⭐⭐⭐⭐⭐⭐

TimeSplitters 2 - 8⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐

TimeSplitters: Future Perfect - 9⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐


- Miguel Caetano Caeiro

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