Batman: The Dark Knight (Trilogia)
Vou falar sobre os seguintes filmes:
- Batman Begins (2005)
- The Dark Knight (2008)
- The Dark Knight Rises (2012)
Batman Begins
Primeiro filme da trilogia e que começo. Este filme pode ser dividido em duas partes distintas, com os primeiros 40 minutos a focarem-se no treino do Bruce com o Ra's Al Ghul, e o restante filme a decorrer em Gotham. O Batman só aparece após uma hora de filme, o que é impressionante para um filme com Batman no título, mas funcionou. Existem também vários flashbacks para eventos da vida do Bruce, como quando desenvolveu o seu medo de morcegos, até à morte dos pais e ao derradeiro momento em que abandona Gotham e vai numa viagem de auto descoberta, onde eventualmente encontra o Ra's Al Ghul.
O vilão é excelente, com o Liam Neeson a fazer, como sempre, um trabalho espetacular. Só descobrimos a sua verdadeira identidade à entrada para o terceiro ato, e foi bem executada essa revelação, ao contrário do terceiro filme, mas já vamos falar mais sobre isso. Outro dos vilões é o Scarecrow, interpretado pelo Cillian Murphy, que desempenha também um belo papel.
Gosto muito do Christian Bale e ele faz um excelente trabalho nestes filmes, como Bruce Wayne e como Batman. Há quem não goste da voz que ele faz como Batman, mas eu acho que cumpre o seu propósito, já que o objetivo do Batman é impor medo nos seus adversários. Passado algum tempo é também engraçado, pois quando se vêm excertos do filme sem contexto, em que ele grita ou se exalta com aquela voz, consegue ser mesmo hilariante, sem deixar de cumprir o seu propósito. Dito isto, continua a ser o meu Batman favorito até hoje.
Em geral, estes filmes são muito bem atuados e realizados. O Michael Caine, Alfred, Gary Oldman, Jim Gordon, e Morgan Freeman, Lucius Fox, são excelentes ao longo de todos os filmes, tal como o já mencionado Christian Bale. Gosto também da Katie Holmes, Rachel, apesar desta só ter participado no primeiro filme. Descobri recentemente, ao pesquisar mais sobre o porquê dela não ter retomado o seu papel na sequela, que foi ela mesma a escolher fazer outro filme. Digamos que esse filme não foi tão bem sucedido, para o colocar de um modo brando.
Há que tirar o chapéu ao Hans Zimmer, que fez a banda sonora de todos os filmes e que, como é óbvio, arrasou por completo e tornou estes filmes ainda mais memoráveis. A todos os níveis, tanto este filme como as suas sequelas foram incríveis a todos os níveis técnicos e artísticos. A única crítica que tenho a apontar é as cenas de luta, que são editadas de uma forma frustrante, com cortes constantes e desorientantes, algo que foi retificado nas sequelas. Pelo que percebi foi um estilo propositado, mas não funcionou, infelizmente.
Este filme é o que tem a pontuação mais baixa da trilogia no IMDb, o que eu considero surpreendente, mas também acredito que este filme envelheceu melhor do que o terceiro, mas vou falar mais à frente sobre o porquê desse ser o caso.
A história do filme é simples, o Bruce foi treinado por Ra's Al Ghul, que faz parte da organização League of Shadows, uma espécie de ordem secreta que já destruiu impérios e civilizações, tudo em nome de equilíbrio e oposição a decadência da sociedade. Esta organização pretende destruir Gotham, pois é uma cidade em declínio, segundo as métricas deles. Quando o Bruce descobre isto decide regressar a Gotham, mas não sem antes ter um confronto no local onde treinava. Salvou o seu mentor, que era na realidade o próprio Al Ghul, mas ele não sabia disto, e voltou para a sua cidade.
É aqui que cria a identidade do Batman e começa a combater crime, utilizando a sua grande afluência monetária para fundar a sua luta contra o crime. O Alfred é a única pessoa que sabe a verdadeira identidade do Batman, ajudando-o como pode na sua missão. O Lucius, apesar de nunca lhe ser transmitida essa informação diretamente, também descobre rapidamente o que ele anda a fazer, e ajuda-o a obter equipamento e tecnologia nesta cruzada. O Jim Gordon, um polícia em quem o Bruce confia, trabalha com o Batman mas sem saber a sua verdadeira identidade ao longo do filme.
Eventualmente o Ra's Al Ghul vai para Gotham e o Bruce descobre que este era, na realidade, o seu mentor. Destroem a mansão do Bruce, deixando-o para morrer. O Alfred ajuda-o e conseguem ir para a cave, a base de operações do Batman. Com todas as peças do puzzle encaixadas, o Batman, com ajuda dos seus aliados mais próximos, incluindo a Rachel, amiga de longa data e interesse amoroso do Bruce. O Batman consegue parar o plano de destruição da cidade, deixando o Ra's Al Ghul para morrer pela própria mão, pois o Batman não mata mas também não se sente obrigado a salvar alguém que pretendia cometer atrocidades contra outros. No fim do filme, já com a Rachel a saber o alter ego do Bruce, estes acabam por não ficar juntos, com a Rachel a dizer-lhe que um dia, quando ele já não precisar de ser o Batman, ficariam juntos. Isto é importante para mais tarde.
The Dark Knight
Já estabeleci vários pontos na análise do primeiro filme, como a qualidade dos atores, da realização, da música e por aí em diante, portanto não me preciso de repetir daqui para a frente. Dito isto, vamos já tirar da frente a óbvia menção ao Heath Ledger, que protagonizou neste filme uma das melhores performances da história do cinema. O jovem ator australiano morreu antes do filme ter sido lançado nos cinemas, e isso acabou por tornar a performance ainda mais mítica e lendária. Este filme ia sempre ser excelente, mas o Heath Ledger garantiu e cimentou este filme como um dos melhores de sempre da história do cinema. Melhor filme de banda desenhada e de super-heróis de sempre, com nenhum até agora a chegar sequer perto e, vamos ser honestos, provavelmente nunca será superado. Este filme é o equivalente para filmes de super-heróis e banda desenhada, que o Senhor dos Anéis é para o género de fantasia, ou para quaisquer outros filmes alguma vez feitos. Intocável.
Para este filme, a Maggie Gyllenhaal substituiu a Katie Holmes que, como já disse, escolheu não voltar para a sequela para fazer outro filme. Durante muito tempo, preferi a performance da Maggie Gyllenhaal à Katie Holmes, mas agora simplesmente aceito que ambas as performances foram boas, ainda que diferentes uma da outra. Provavelmente continuo a preferir a Rachel deste filme, mas ganhei uma apreciação maior pela interpretação da Katie Holmes após ter revisto os filmes recentemente.
O Joker do Heath Ledger é lendário. Uma performance que deixa um teto altíssimo para vilões e para qualquer tipo de performance em geral. Obviamente foi muito bem escrito, mas o australiano fez da personagem sua. O filme pode mesmo ser resumido a: o Batman defronta o seu exato oposto, um homem que tem como propósito espalhar o caos e, no processo, testar os princípios do Batman ao limite. Podemos mesmo dizer que o Joker venceu, foi o último a rir-se, tendo quebrado o Harvey Dent, aquele que era suposto ser o maior herói de Gotham. O Batman teve de se sacrificar para que a cidade tivesse paz, mas esta foi criada numa mentira, onde o Batman pagou pelos crimes do Two-Face de própria vontade, colocando a cidade acima de si mesmo, um verdadeiro herói.
Falando ainda sobre mentiras, outra mentira muito importante foi a omissão da carta da Rachel para o Bruce, onde esta afirma ter escolhido o Harvey em vez do Bruce. O Alfred leu a carta e, após a morte da Rachel, escolheu não a mostrar logo, acabando mesmo por a queimar, para proteger o Bruce. No terceiro filme, o Alfred acaba por transmitir esta informação ao Bruce, acabando por danificar a relação entre os dois. Mais uma vez, uma mentira com o propósito de proteger mas que acaba por danificar uma relação. As mentiras deste filme vêm ao de cima no terceiro, já que a verdade tem a tendência de aparecer eventualmente.
Importante destacar as cenas de ação neste filme, com as lutas a terem uma melhor edição em comparação com o primeiro filme, onde a coreografia é visível e pode respirar. A cena de perseguição no túnel é incrível, a juntar tensão à ação de uma forma fenomenal e memorável.
O final deste filme é incrível, com o discurso do Gordon a ser absolutamente fantástico. É um daqueles momentos que ficam na memória de qualquer pessoa que o veja. "Because he's the hero Gotham deserves, but not the one it needs right now." Esta tem de ser uma das frases mais icónicas da história do cinema. É um dos meus filmes favoritos e um dos melhores filmes alguma vez feitos, sem qualquer dúvida.
The Dark Knight Rises
Aquele que sempre considerei a "ovelha negra" da trilogia. Mudei de opinião acerca deste filme, após o ver recentemente? Sim, acho que é melhor do que me lembrava, mas continuo a considerá-lo o mais fraco da trilogia. Há que ter em conta que continua a ser belo filme, temos de ter em conta o contexto de estar inserido numa trilogia fantástica e com duas prequelas incríveis, com uma delas a ser um dos melhores filmes de sempre, com uma das performances mais icónicas de sempre de um ator e de um vilão. É um legado difícil para qualquer filme.
Gosto do Bane, interpretado pelo Tom Hardy, acho que é um belo vilão e cumpre bem o seu papel. Não gostei da revelação final, onde a Miranda, Marion Cotillard, revela ser a filha do Ra's Al Ghul, a personagem que estava a ser falada ao longo do filme e que estava a ser apresentada como se fosse o Bane. Acho que a revelação vem do nada, chega tarde demais, a meio do terceiro ato basicamente, e a personagem muda completamente de personalidade e perde quaisquer dimensões que teve até àquele momento. Não percebo porque é que tinha de dormir com o homem que culpa de ter morto o seu pai. Além de que todo o plano de destruir Gotham vem com as mesmas intenções do primeiro filme. Eu percebo que os vilões do Batman querem sempre destruir a cidade, mas ao menos deem-lhes motivações diferentes.
O que gostei no filme foi a Catwoman ou Selina Kyle, interpretada pela Anne Hathaway, e o Blake, polícia interpretado pelo Joseph Gordon-Levitt, que nos é revelado, no fim do filme, ter o nome de Robin, o nome do habitual parceiro do Batman nos mais diversos tipos de media. Acho que foram excelentes adições ao elenco, juntamente com o Tom Hardy, e fizeram todos um excelente trabalho. O Alfred é que me surpreendeu, pois apareceu apenas durante o início do filme e nas cenas finais. Não me lembrava disto e apenas posso imaginar que se deva a outros projetos do Michael Caine ou ao próprio guião. De qualquer das maneiras, é uma baixa importante ao longo da narrativa, ainda que tenha uma justificação credível na história, relacionado com o que mencionei da carta da Rachel do filme anterior.
Este foi o único filme, após os ter revisto aos três, que mudei a pontuação. Após ter começado a escrever este texto, decidi voltar a colocá-lo na pontuação original. Gosto mais do filme agora, mas continuo a acreditar que a pontuação que vou dar em seguida é a mais justa. O terceiro ato é o grande culpado e o motivo pelo qual não consigo dar uma nota mais alta.
Esta trilogia é mesmo uma das mais fortes alguma vez feitas. Para mim, fica apenas atrás de O Senhor dos Anéis, com a trilogia original do Star Wars a estar, para mim, a um nível semelhante. Tenho de voltar a ver O Padrinho para poder dar uma resposta definitiva no pódio. De qualquer das maneiras, só pelos nomes que dou aqui, já se pode ver o nível de qualidade a que estou a equiparar o Batman do Nolan. Não acredito que voltaremos a ver filmes de super-heróis a chegar a um nível tão alto, mas adorava estar enganado e espero bem que esteja, pois vou ser o primeiro a estar no cinema para ver e o primeiro a admitir que estava enganado. Até lá, o Dark Knight continua a ser o rei de filmes de super-heróis.
Batman Begins - 9⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐
The Dark Knight - 10⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐
The Dark Knight Rises - 8⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐
- Miguel Caetano Caeiro

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