Poesia Virtual

Esta é a história do Luís, o operário
Que passa a vida no trabalho
Quando se encontra no seu domicílio
Não tem ninguém ao seu auxílio
Passa a vida a olhar para o ecrã
À procura de uma pessoa sã
Não encontrou ninguém assim
No meio de todo aquele frenesim
Quando estava prestes a desistir
Eis que a humanidade o veio assistir
Encontrou a pessoa perfeita
Que não era bem uma pessoa feita
O que o Luís não sabia
É que ali havia uma intriga
Não era uma pessoa original
Era inteligência artificial
Uma existência sem destinatário
Constituída por código binário
Mas o Luís não a via assim
Apaixonou-se por um manequim
Engendrada por engenheiros informáticos
Que seguem ordens de excêntricos milionários
Para explorar alguém como o Luís
Que se sente sozinho e infeliz
Quem sabe quando é que isto vai parar
Enquanto der dinheiro não vai acabar
Um casamento com inteligência artificial
Numa realidade surreal-virtual
E com esta nova eu me despeço
Tiveram um filho e mandaram-me o endereço!


- Miguel Caetano Caeiro

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