Alpine: Colapinto substitui Doohan e Briatore assume cargo de Oakes

    Finalmente aconteceu, ao fim de seis Grandes Prémios. Jack Doohan é substituido por Franco Colapinto na Alpine. Se não fosse o facto da Red Bull ter despromovido um piloto ao fim de duas corridas, a ótica desta mudança teria sido ainda pior, mas este é o mundo em que vivemos. Um rookie a ser substituído ao fim de seis corridas é inacreditável. É verdade que Doohan não estava propriamente a ter um bom arranque de temporada, diria mesmo que estava a ser um dos piores pilotos em pista esta época, mas certamente merecia mais do que metade de metade da época para provar o seu valor.

    Colapinto está agora confirmado como piloto "titular" da Alpine para as próximas cinco rondas. Sim, apenas cinco corridas, sendo que irão avaliar as suas performances e decidir, após essas corridas, qual o próximo passo a tomar. Enquanto isso, Doohan volta a ser o piloto reserva da equipa.

    É uma situação complicada a da Alpine, sobretudo porque pouco tempo depois desta primeira notícia, surge outra, a de Oliver Oakes a abandonar o seu cargo como chefe de equipa. Parece estar relacionado com o facto do seu irmão ter sido preso há pouco tempo, apanhado com uma larga quantidade de dinheiro. Uma situação caricata, que deixa Flavio Briatore como líder de equipa na Alpine. Sim, esse Flavio Briatore.

    O arquiteto por trás de, talvez, o maior escândalo na história da Fórmula 1, o "Crashgate". No dia 28 de Setembro de 2008, na 15ª volta da corrida, na primeira corrida noturna na história da F1, em Singapura, Nélson Piquet Júnior bate na curva 17 da pista. Este embate no muro obriga o Safety Car a entrar em pista, beneficiando o seu companheiro de equipa, Fernando Alonso, que tinha parado mais cedo na corrida. O Alonso é promovido a líder e acaba mesmo por vencer a corrida. Na época seguinte, após o Grande Prémio da Hungria, onde Nélson Piquet Júnior se vê afastado da Renault, o piloto brasileiro decide tornar pública a situação, o que levou a uma investigação por parte da FIA, que acabou com Briatore a ser banido permanentemente do desporto, Pat Symonds, engenheiro da equipa, banido por cinco anos e a equipa Renault a ser desqualificada.

    Contudo, as decisões finais viriam a ser diferentes, já que um tribunal francês bloqueou estes banimentos. A Renault não foi desqualificada, e tanto Briatore como Symonds chegaram a um acordo secreto com a FIA e ficaram fora do desporto durante um determinado espaço de anos. Symonds regressou logo em 2011, para trabalhar com a Virgin Racing, e Briatore regressou em 2022, quando se juntou à Alpine.

    Já foi mau o suficiente ninguém sofrer verdadeiras repercussões pelo sucedido, até puderam manter a vitória, mas Briatore ser chefe de equipa na F1 é uma verdadeira estalada na cara do desporto e de todos os que nele estão envolvidos. Briatore nunca deveria ter tido a permissão de regressar, muito menos tornar-se, novamente, num chefe de equipa.

    Quando esta equipa mudou o nome de Renault para Alpine, muitos esperavam que esta ligeira mudança de identidade significasse algo de positivo para a equipa mas, passados vários anos, parece-me que estão cada vez mais a andar para trás. É uma equipa verdadeiramente difícil de apoiar e que continua a cometer vários erros. Ainda assim, o regresso de Briatore a chefe de equipa é, talvez, o seu maior pecado.


- Miguel Caetano Caeiro

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