Correria Calmaria

Simetria absurdista da eficiência
Blocos de concreto na direção do céu
Pequenos pirilampos na sua fasquia
Cores mudas até ao apogeu


Selva infernal carregada de almas
Numa corrida desenfreada até à meta
Sem desfrutar daquilo que realmente importa
Olhar para o céu, ouvir as ondas calmas
Chamado perder tempo, dito ganhar
Desligar o cérebro, apenas relaxar


Velocidade estonteante, foco no trilho
Muita pressa para algures chegar
Muros imponentes, acendido o rastilho
Cansaço extenuante quando no fim se apagar


Sprint mortífero, sem grande propósito
Desperdício atípico de energia vital
Existir no cosmos de maneira tal
Abrandar o ritmo, o Pai Tempo é erudito
Vamos todos chegar ao mesmo destino
Melhor é desfrutar do milagre divino


- Miguel Caetano Caeiro

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