Na minha cabeça II
Prisão perpétua de existência
Estar preso com os próprios pensamentos
Tentar fazer sentido de alguma coisa
É fundamentalmente desimportante
Tentar perceber quem sou
Porque sou como sou
Será que sou quem penso que sou
Penso sequer que sei quem penso que sou?
Se existe algum tipo de divindade
Um ser criador de todos os seres
Tenho muitas perguntas, sem dúvida
Pois parece ter um sentido de humor único
Mas não acredito que me possa esconder assim
Atrás da ideia de um deus me ter criado assim
Posso só ter nascido assim
E é por isso que sou assim
Apenas e só um mero acaso
Uma má sorte da lotaria genética
Um pobre coitado sem controlo
Mas não, não me quero esconder desta forma
Todos os dias tenho a oportunidade de mudar
De ser quem quero ser, ou que penso querer ser
Confiante, destemido, sociável, atraente
A ideia da pessoa perfeita, que todos iriam gostar
Contudo, não é só estalar os dedos e já está
Mudança, sobretudo num ser humano, demora tempo
Se é que chega sequer a funcionar, a tomar efeito
Existe a teoria que pessoas nunca mudam
Não sei se concordo ou discordo
Mas tenha mais tendência em discordar
Pois com um mundo em constante fluxo
É impensável não existirem mudanças algumas em alguém
Esse mesmo fluxo leva-me de novo à questão:
Quem sou eu, verdadeiramente?
É quando estou com a minha família?
Com os meus amigos próximos?
Quando estou com meros conhecidos?
Ou até com desconhecidos?
Ou é quando estou sozinho?
Ou nunca sou eu mesmo?
Se quiser, posso ser aborrecido e dizer
Que são todas as opções anteriores
Um pouco de cada uma forma o bolo total
E essa seria a resposta mais sábia
Mas gosto de um pouco de misticismo
Não vou dar uma resposta definitiva
Porque, no fundo, nem eu a sei
Só sei que nada sei
- Miguel Caetano Caeiro
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