Naus

Ondas batem e rebatem na proa
Água domina todas as direções,
Vento sopra forte do nordeste
Chuva cai sem misericórdia.
Naus à ordem da coroa
Tripulação repleta de aspirações,
A ambição fica no oriente
Não há espaço para tragédia.


Estabelecer uma rota é prioridade
Pela costa africana até ao Cabo,
Lançados no Atlântico à volta do mar
Rumo à terra das especiarias.
Partiram em março da grande cidade
Para se deslocarem pelo globo
E um novo caminho firmar,
A rota das Índias.


Os ventos extraviaram a frota
E esta avistou terra nova
Pouco mais de um mês no mar.
Já em plena primavera
Atracaram na bela costa
E interagiram com a população nativa.
Primeiro contacto sem antagonizar
O povo indígena que lá vivera.


Foi feita missa para celebrar
A ocasião especial.
Primeira impressão não violenta,
Assim voltaram para a maré navegar.
Mas não era para durar
O estilo de vida até aqui habitual,
Da próxima vez que aparecesse uma frota
Era para o povo local subjugar.


- Miguel Caetano Caeiro

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